Não houve falha mecânica em avião acidentado, diz Airbus
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O vice-presidente de segurança de vôo da Airbus, Yannick Malinge, negou nesta quinta-feira que tenha ocorrido pane no computador de bordo do Airbus-A320 da TAM, que se acidentou no dia 17 de julho. Segundo ele, as informações e os dados das caixas-pretas indicam que não houve falhas nem problemas na frenagem da aeronave.
"Nós não vemos nenhuma pane neste acidente", afirmou Malinge durante depoimento à CPI do Apagão na Câmara. "Evidentemente que quando há uma acidente, nós não podemos descartar hipótese nenhuma. Mas nós nos confortamos ao ouvirmos as gravações, pois não houve uma pane nem falha do computador de bordo", afirmou.
O engenheiro aeronáutico disse ainda que o Airbus-A320 da TAM teve os manetes, os freios, os spoilers e o reverso funcionando normalmente. "Os dados disponíveis mostram que a freagem do avião funcionou normalmente: os freios, os spoilers e o reverso. Existem duas possibilidade de utilizar os freios: a freagem automática e a manual", afirmou.
Malinge disse ainda que o modelo A320 oferece cinco vezes menos risco de acidentes. No entanto, ele disse não ser possível dar uma resposta objetiva sobre as causas do acidente. De acordo com o representante da Airbus, é necessário aguardar a conclusão das investigações.
Apesar da cautela, o engenheiro reiterou que a aeronave funcionou normalmente no momento do acidente. "Não houve um funcionamento anormal do avião no momento do acidente."
Carta
Malinge leu uma carta do presidente da empresa, Louis Gallois, autorizando que ele preste todos os esclarecimentos necessários à CPI do Apagão na Câmara. O engenheiro francês lamentou o acidente com o vôo 3054 da TAM e afirmou estar à disposição das autoridades brasileiras para o que for necessário.
"Gostaria de expressar os mais profundos sentimentos pela tragédia ocorrida. Devemos procurar entender a causa ou as causas do acidente", disse ele, referindo-se ao acidente envolvendo o Airbus-A320 da TAM, no último dia 17.
É a primeira vez que um representante técnico da Airbus presta depoimento à CPI. Anteriormente, por equívoco, a comissão convidou Mário de Oliveira, assessor de imprensa da Airbus para prestar esclarecimentos aos deputados.
Falando em francês, mas com intérpretes contratados pela CPI para tradução, Malinge disse que a empresa Airbus não tem um escritório no Brasil, mas um representante técnico para manter contato com as companhias aéreas que mantêm vínculos com a Airbus.
Engenheiro aeronáutico, ele disse ser o responsável designado pela Airbus para acompanhar as investigações em caso de acidentes aéreos em busca das causas e também da prevenção --ele está nesta função desde 2003.
O tenente-coronel Fernando Camargo, presidente da comissão que investiga o acidente com o vôo 3054 da TAM, disse por meio da assessoria da Aeronáutica, disse que "as gravações de dados do FDR [Flight Data Record - a caixa preta] não mostraram evidências de falhas mecânicas, mas há outras linhas de investigação onde essas evidências podem ser encontradas. Portanto, a hipótese de falha mecânica não está descartada pela comissão de investigação".
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