PF prende advogados e oficiais de Justiça em Pernambuco
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira em Pernambuco quatro oficiais de Justiça, dois advogados e dois funcionários de um escritório jurídico. O grupo é suspeito de integrar uma quadrilha que negociava prioridade na apreensão de veículos retomados por descumprimento de contratos de financiamento.
Segundo o Ministério Público do Estado, os oficiais de Justiça recebiam propinas de R$ 200 a R$ 300 para que determinados processos passassem à frente dos demais. Assim, os carros das financeiras para as quais os advogados trabalhavam eram apreendidos com maior rapidez.
A negociação e o pagamento da propina seriam feitos pelos advogados. Segundo a PF, não há provas da participação das financeiras no esquema.
A polícia suspeita que o grupo negociava prioridade para até 50 mandados de busca e apreensão por mês. A investigação vai apurar há quanto tempo o esquema existia.
Na operação, batizada de Pombo-Correio, também foram apreendidos documentos e computadores em 12 escritórios e residências nas cidades de Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes e Caruaru.
Em um dos locais vasculhados, a PF encontrou um revólver, uma pistola e uma espingarda, supostamente pertencentes ao pai de um dos presos, funcionário do escritório jurídico envolvido. Ele pagou fiança de R$ 50 por posse ilegal de armas e foi liberado.
Os suspeitos, que cumprem prisão temporária de cinco dias, prorrogável por igual período, depuseram na superintendência da Polícia Federal, em Recife. Segundo a PF, eles colaboraram para serem beneficiados com a delação premiada. O conteúdo dos depoimentos não foi revelado.


