PF nega intenção de receber recompensa por traficante colombiano preso
da Folha Online
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Polícia Federal afirmou nesta sexta-feira que não tem intenção de receber a recompensa de US$ 5 milhões que o governo dos Estados Unidos prometia pagar a quem capturasse o traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, 44. Ele foi preso terça-feira (7), em sua mansão, na Grande São Paulo.
O posicionamento da PF é o de que, ao prender o traficante, a instituição apenas cumpriu seu papel constitucional.
Herdeiro do cartel de Cáli, Abadía é apontado como chefe do influente cartel do Norte do Vale da Colômbia. Nos EUA, Abadía é acusado de traficar drogas no Colorado e em um dos distritos de Nova York e é apontado pelo DEA (agência antidrogas americana) como o chefe do Cartel do Norte do Vale, da Colômbia, que teria enviado mil toneladas de cocaína para aquele país. Ele ainda é acusado de ordenar 315 assassinatos --300 na Colômbia e 15 nos EUA.
No Brasil, até onde a PF conseguiu apurar, Abadía não teria traficado cocaína. Ele usava o país para lavar o dinheiro que arrecadou em mais de 20 anos de tráfico --as autoridades dos EUA estimam que sua fortuna possa ser de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 3,5 bilhões).
Segundo a investigação da PF, ele usava uma rede de 17 empresas para lavar dinheiro. As empresas ficam em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul e cobrem negócios que vão de computadores a alimentos, de perfume a carros, de jet ski a piscicultura.
Extradição
O colombiano tenta evitar a extradição para os EUA. Informalmente, ele propôs à PF um acordo de delação premiada. Ele se dispôs a entregar os nomes dos policiais que corrompeu desde que chegou ao Brasil em 2004. Em troca, quer que a Justiça autorize que ele cumpra a pena por lavar dinheiro no Brasil em uma prisão nos EUA.
Em tese, a proposta do traficante pode ser contemplada em parte pela legislação brasileira --a delação premiada está prevista no Código Penal. A idéia por trás do acordo de delação é permitir que o Estado chegue ao criminoso mais importante e mais difícil de ser preso. Cabe ao juiz decidir o quanto a pena será reduzida --dependendo do caso, pode chegar ao perdão. Já o cumprimento de pena nos EUA não está previsto na lei brasileira.
Caso recente
Ontem, o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a extradição do traficante colombiano Mario Fernando Camacho Martinez para os Estados Unidos, onde ele responde a processos por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Para isso, porém, a Justiça norte-americana deve aceitar duas condições: de que o colombiano seja julgado apenas pelo crime de tráfico --a lei brasileira não prevê extradição por lavagem de dinheiro-- e de que uma eventual condenação à prisão perpétua em uma pena de prisão por no máximo 30 anos.
O colombiano que pode ser extraditado para os EUA irá a julgamento na Corte Distrital dos Estados Unidos, para o Distrito Leste de Nova Iorque. Ele é acusado de ter integrado o alto escalão de uma organização internacional de tráfico de cocaína de junho de 1996 a junho de 1998. O traficante enviaria droga aos EUA a partir do porto de Santos (SP).
Com Agência Brasil.
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