PF encontra mais US$ 952 mil e 420 mil euros de traficante colombiano
da Folha Online
A Polícia Federal apreendeu na madrugada desta sexta-feira US$ 952 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) e 420 mil euros (pouco mais de R$ 1,1 milhão) que estavam enterrados em uma casa em Campinas (95 km a noroeste de São Paulo) que pertencem traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, 44, o Chupeta, um dos traficantes mais procurados do mundo, considerado um dos herdeiros do cartel de Cali.
Além do dinheiro, a PF prendeu um colombiano, que seria funcionário de Abadía, e seu motorista.
O funcionário de Abadía teria desenterrado o dinheiro e pedido para que seu motorista o escondesse. O dinheiro foi encontrado na casa dos pais do motorista, enrolado em sacos plásticos e cobertores.
De acordo com a PF, o colombiano recebia R$ 7.000 por mês para guardar o dinheiro.
Abadía foi preso na terça-feira (7), em sua mansão, na Grande São Paulo, onde também foram encontrados US$ 544 mil (R$ 1,03 milhão), 250 mil euros (R$ 655 mil) e R$ 55 mil. O dinheiro estava em compartimentos secretos dentro da casa, como caixas de som.
O traficante mantinha diversas casas de alto padrão no Brasil, de acordo com a PF. As residências eram bem equipadas para que Abadía não precisasse sair.
Recompensa
O governo dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de US$ 5 milhões pela captura de Abadía. No entanto, como a prisão foi realizada pela PF --que afirmou hoje que não quer o prêmio--, o destino da recompensa ainda não está definido.
Abadía é considerado um dos traficantes mais perigosos do mundo porque é apontado como chefe do influente cartel do Norte do Vale da Colômbia.
Nos EUA, Abadía é acusado de traficar drogas no Colorado e em um dos distritos de Nova York e é apontado pelo DEA (agência antidrogas americana) como o chefe do Cartel do Norte do Vale, da Colômbia, que teria enviado mil toneladas de cocaína para aquele país. Ele ainda é acusado de ordenar 315 assassinatos --300 na Colômbia e 15 nos EUA.
No Brasil, de acordo com a apuração da PF, Abadía não teria traficado cocaína. Ele usava o país para lavar o dinheiro que arrecadou em mais de 20 anos de tráfico --as autoridades dos EUA estimam que sua fortuna possa ser de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 3,5 bilhões).
Segundo a investigação da PF, ele usava uma rede de 17 empresas para lavar dinheiro. As empresas ficam em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul e cobrem negócios que vão de computadores a alimentos, de perfume a carros, de jet ski a piscicultura.
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