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Cotidiano
11/08/2007 - 20h03

PF transfere traficante colombiano para presídio em Campo Grande

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da Folha Online

Sob um forte esquema de segurança, o traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, 44, o Chupeta, foi transferido neste sábado da sede da Polícia Federal em São Paulo para o presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS). O detento --um dos traficantes de drogas mais procurados do mundo-- foi transferido em um avião da PF, protegido por um colete à prova de balas e escoltado por um grupo de agentes federais.

O colombiano foi transferido porque a sede da PF não abriga presos por longos períodos e por questões de segurança. O procedimento precisou ser autorizado pela Justiça.

Inaugurada em dezembro de 2006, a penitenciária de Campo Grande tem capacidade para 208 presos, que ficam isolados nas celas.

Herdeiro do cartel de Cáli, Abadía é apontado como chefe do influente cartel do Norte do Vale da Colômbia. Nos EUA, Abadía é acusado de traficar drogas no Colorado e em um dos distritos de Nova York e é apontado pelo DEA (agência antidrogas americana) como o chefe do Cartel do Norte do Vale, da Colômbia, que teria enviado mil toneladas de cocaína para aquele país. Ele ainda é acusado de ordenar 315 assassinatos --300 na Colômbia e 15 nos EUA.

No Brasil, até onde a PF conseguiu apurar, Abadía não teria traficado cocaína. Ele usava o país para lavar o dinheiro que arrecadou em mais de 20 anos de tráfico --as autoridades dos EUA estimam que sua fortuna possa ser de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 3,5 bilhões).

Segundo a PF, ele usava uma rede de 17 empresas para lavar dinheiro. As empresas ficam em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul e cobrem negócios que vão de computadores a alimentos, de perfume a carros, de jet ski a piscicultura.

Extradição

O colombiano tenta evitar o julgamento nos EUA. Informalmente, ele propôs à PF um acordo de delação premiada. Ele se dispôs a entregar os nomes dos policiais que corrompeu desde que chegou ao Brasil em 2004. Em troca, quer que a Justiça autorize que ele cumpra a pena por lavar dinheiro no Brasil em uma prisão nos EUA.

Em tese, a proposta do traficante pode ser contemplada em parte pela legislação brasileira --a delação premiada está prevista no Código Penal. A idéia por trás do acordo de delação é permitir que o Estado chegue ao criminoso mais importante e mais difícil de ser preso. Cabe ao juiz decidir o quanto a pena será reduzida --dependendo do caso, pode chegar ao perdão. Já o cumprimento de pena nos EUA não está previsto na lei brasileira.

Recompensa

O governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões a quem capturasse o colombiano. Como a prisão foi realizada pela PF, porém, o destino da recompensa ainda não está definido.

Na sexta-feira (10), por meio de sua assessoria de imprensa, a PF afirmou que não tem intenção de receber o dinheiro pois, ao prender o traficante, estava apenas cumprindo seu "papel institucional".

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