Falso fiscal da prefeitura é preso ao pedir R$ 50 mil para "reabrir" Bahamas
da Folha Online
A Polícia Civil prendeu em flagrante nesta sexta-feira um suspeito de tentar cobrar propina do empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate de luxo Bahamas e do Oscar's Hotel, localizados na região do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). Ele se fazia passar por funcionário da prefeitura e cobrou R$ 50 mil para reabrir a boate, fechada sob suspeita de que o local era usado para exploração da prostituição.
O suspeito apresentou à polícia dois nomes: Alexandre Ferreira Galhardo, 35, e Alexandre Ferreira Siqueira, 35. Com o primeiro nome o suspeito tem antecedente por estelionato em Goiás, de acordo com o delegado Antonio de Olim, titular da Delegacia de Congonhas.
De acordo com o assessor de Maroni, Ricardo Moronho, 47, a primeira vez que o suspeito procurou o empresário foi na interdição do hotel. "Ele [o suspeito] estava entre os funcionários da prefeitura. Quando a equipe foi embora, ele se apresentou e disse que podia reabrir o hotel. Não demos atenção porque não trabalhamos com propina. Quando o Bahamas fechou foi a mesma coisa", afirmou Moronho.
No entanto, segundo o assessor, o suspeito voltou a procurar Maroni com informações que seriam somente de conhecimento do empresário e da prefeitura. Mesmo após a prisão de Maroni o suspeito continuou a tentativa de extorsão, de acordo com o assessor.
Segundo o assessor, em um dos contatos foi marcado o encontro. Moronho afirmou que o próprio suspeito escolheu o local da entrega do dinheiro: o saguão do aeroporto de Congonhas.
"Comuniquei ao delegado e me encontrei com ele [o suspeito] no saguão. No momento da prisão ele disse que não era da prefeitura. Nossa dúvida é como ele teve acesso às informações, ficamos impressionados", afirmou Moronho.
O assessor levou ao encontro uma caixa simulando que havia em seu interior os R$ 50 mil pedidos pelo suspeito. Notas de R$ 10 foram colocadas por cima da caixa e Moronho as mostrou ao suspeito.
O encontro foi acompanhado por policiais disfarçados, que acompanhavam a conversa com microfones que foram colocados em Moronho.
O delegado confirmou que o suspeito marcou o encontro no saguão e que ele não é funcionário da prefeitura. Mas, para Olim, o suspeito não teve acesso a informações e sim de reportagens sobre as interdições nos estabelecimentos de Maroni.
"Tudo o que ele [Moronho] falou eu coloquei no depoimento, no papel. O suspeito falou que não tem ligação com a prefeitura e que é realmente um estelionatário", afirmou Olim.
De acordo com o delegado, o suspeito não deu mais declarações e disse que falaria somente à Justiça. Ele ainda não havia nomeado advogado quando a reportagem esteve na delegacia.
Leia mais
- STJ nega liberdade provisória a dono da boate Bahamas
- Defesa de Maroni entra com pedido de liberdade provisória no STJ
Especial

