Zuanazzi minimiza investigação envolvendo diretora da Anac
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, disse nesta quarta-feira que está "tranqüilo" quanto ao processo administrativo que o Ministério da Defesa abrirá contra a agência.
O processo irá apurar a acusação de que a diretora da agência, Denise Abreu, apresentou documentos inválidos à juíza Cecília Marcondes, do TRF da 3ª Região. Jobim deve pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o afastamento dos envolvidos no caso.
Conforme a denúncia feita pela própria juíza, Denise entregou um documento com falsas restrições para pousos de aviões em pista molhada no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) para garantir a reabertura da pista principal do terminal, então fechada por suspeita de oferecer riscos à segurança.
Zuanazzi afirmou que a investigação poderá "limpar" a Anac do episódio. "Não vejo problema nenhum. Faço até questão dessa investigação, porque vai julgar a verdade. Na minha opinião, isso joga a favor da agência, mostrando também a responsabilidade da administração aeroportuária, que tinha preocupações com aquele equipamento [Congonhas]."
Segundo o presidente, os dados apresentados por Jobim sobre a investigação estão corretos.
Documentos
Em dezembro do ano passado, em uma reunião entre a Anac e as companhias aéreas Gol, TAM e BRA, ficou decidido elaborar este documento. Segundo Jobim, por determinação de Denise Abreu, a última versão do documento deveria ser inserida no site da agência.
"O que interessa é que esse documento entrou nos autos para tentar, com isso, formar a convicção da juíza. Cabe ao ministro da Defesa exercer o poder e eu vou exercer, de instaurar o processo", disse Jobim.
O documento foi utilizado para convencer a Justiça a liberar, no início do ano, as operações no aeroporto, que estavam restritas para alguns tipos de aviões. O problema é que a norma em questão, a IS-RBHA 121-189, não estava em vigor --ela vedava às empresas o uso de aviões com um reverso inoperante em pistas molhadas.
Se a decisão estivesse em vigor no dia 17 de julho, ela teria evitado o acidente com o vôo 3054 da TAM, que matou cerca de 200 pessoas.
Outro lado
Na última quinta-feira (16), em depoimento na CPI do Apagão Aéreo no Senado, Denise disse que o documento não tem valor legal por se tratar de um "estudo interno", publicado no site da agência por "falha da área de informática".
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Fui enganada sobre Congonhas, diz juíza
- CPI do Senado quer ouvir juíza supostamente enganada pela Anac
- Jobim quer reduzir prazo de ressarcimento por atrasos em vôos
- Licitação para terceiro terminal de Cumbica sairá em setembro
Especial

