Cotidiano
24/08/2007 - 16h09

Diretora da Anac entrega carta de demissão nesta sexta

da Folha de S.Paulo

A diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu anunciará ainda na tarde desta sexta-feira, por carta, sua renúncia, informa Renata Lo Prete, editora do Painel da Folha.

Desgastada por quase um ano de crise aérea, pela tragédia do vôo 3054 e, desde o início desta semana, pela acusação de que teria apresentado um documento sem validade à juíza Cecília Marcondes, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, Abreu não resistiu. A norma inexistente de segurança tinha como objetivo derrubar a restrição de uso da pista do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), determinada em fevereiro pela Justiça Federal.

Ueslei Marcelino/Folha Imagem
A diretora da Anac, Denise Abreu, em depoimento a CPI do Apagão Aéreo
A diretora da Anac, Denise Abreu, em depoimento a CPI do Apagão Aéreo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vinha trabalhando com afinco para que ela deixasse o cargo --pela lei, os diretores de agências reguladoras não podem ser demitidos.

Documento

Na quinta-feira (23), à CPI Apagão Aéreo da Câmara, Abreu negou que a apresentação da norma supostamente inválida à Justiça signifique que a diretoria ou o corpo técnico da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) tivessem intenção de ludibriar o Judiciário. Ela disse que se sente perseguida e que há uma campanha contra ela.

De acordo com Abreu, a Anac decidiu entregar a norma ainda inválida à Justiça por acreditar que ela demonstraria que a pista principal do aeroporto de Congonhas --então fechada por suspeita de oferecer risco à segurança-- atendia aos requisitos da FAA (agência de aviação dos EUA) para pousos de grandes aviões. Ela ressaltou que, mesmo em vigor, a norma não impediria o acidente com o vôo 3054 da TAM que ocorreu em Congonhas no último dia 17 de julho e causou 199 mortes.

Nesta sexta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que vai instalar na próxima segunda processo administrativo contra a Anac para apurar denúncia de que integrantes do órgão utilizaram o documento para impedir que a Justiça restringisse operações em Congonhas. Jobim disse que a investigação deve ser concluída em 30 dias --apesar do prazo ser de 60 dias, prorrogáveis pelo mesmo período.

Com Folha Online

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