Saída de diretora reduz tensão entre Anac e sociedade, diz Jobim
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A saída de Denise Abreu da diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) irá reduzir a tensão entre a agência e a sociedade. A avaliação é do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que recebeu nesta sexta-feira a carta de renúncia da diretora, que alegou motivos pessoais para deixar o cargo.
"É uma decisão importante porque começa então fazer com que Anac reduza o seu grau de atrito e tensão com a sociedade", afirmou.
Desgastada por quase um ano de crise aérea, pela tragédia do vôo 3054 e, desde o início desta semana, pela acusação de que teria apresentado um documento sem validade à juíza Cecília Marcondes, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, Abreu não resistiu. A norma inexistente de segurança tinha como objetivo derrubar a restrição de uso da pista do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), determinada em fevereiro pela Justiça Federal.
Jobim vinha trabalhando com afinco para que ela deixasse o cargo --pela lei, os diretores de agências reguladoras não podem ser demitidos.
Na carta, a diretora solicita a renúncia "em caráter irretratável, por motivos pessoais". Abreu pediu que a sua carta de renúncia fosse encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem vai prestar esclarecimentos sobre as razões que a levaram a tomar essa decisão.
Jobim afirmou que irá conversar com o presidente sobre o papel da Anac. Ele não quis comentar sobre o substituto de Abreu e nem se os demais diretores deveriam também pedir renúncia.
"Ela me encaminhou o pedido de renúncia e encaminho agora ao presidente da República para que possamos então estimar os atos e repensar a Anac."
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