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Cotidiano
25/08/2007 - 11h03

Jobim trabalha por mais renúncias na Anac

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VALDO CRUZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Além de Denise Abreu, o ministro Nelson Jobim (Defesa) trabalha para que os demais diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também renunciem, abrindo caminho para uma completa reestruturação do órgão.

Jobim pediu apoio diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para lançar uma ofensiva visando afastar os cinco diretores da agência. O ministro, que assumiu para solucionar a crise aérea, disse a Lula que a diretoria da Anac estava totalmente desgastada e não tinha mais condições de tocar a agência.

O caso da "falsa norma" entregue à Justiça de São Paulo para derrubar a restrição de uso da pista do aeroporto de Congonhas foi o ponto fraco encontrado por Jobim para aumentar sua pressão e provocar a queda de Denise Abreu, primeira vítima dessa operação.

Amigos do ministro da Defesa apostam na saída, pelo menos a médio prazo, de outros quatro diretores: Milton Zuanazzi, Leur Lomanto, Jorge Velozo e Josef Barat.

Dentro do governo, entretanto, existe um grupo que trabalha pela permanência de Zuanazzi, presidente da Anac, integrado pelos ministros Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil).

Na avaliação de assessores de Lula, Zuanazzi "não é e nunca foi o problema" da agência. Se ele se entender com Jobim, pode se manter no posto. Caso isso não aconteça e o presidente Lula peça sua saída, Zuanazzi estaria disposto a entregar o cargo, mas não agora.

Renúncia

Há a expectativa de, a curto prazo, pelo menos mais um diretor da Anac renuncie: Jorge Velozo, coronel e egresso do DAC (Departamento de Aviação Civil), o órgão que antecedia a agência.

Velozo já teria manifestado a intenção de deixar o cargo que ocupa na Anac.

Ontem, foi o próprio Nelson Jobim quem avisou Lula da renúncia de Denise Abreu. O ministro da Defesa ligou no meio da tarde para o presidente, que estava chegando a Porto Alegre, cidade de onde partiu o avião da TAM que explodiu após descer e explodir em Congonhas no mês passado, deixando 199 pessoas mortas.

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