Justiça interroga controladores de tráfego aéreo sobre vôo 1907
da Folha Online
Os quatro controladores de tráfego aéreo acusados no processo sobre acidente com o vôo 1907 da Gol, ocorrido no ano passado, deverão ser interrogados pela Justiça Federal em Sinop (MT) na tarde desta terça-feira. Ontem, a Justiça esperava ouvir os americanos Joseph Lepore e Jean Paul Paladino --que pilotavam o jato Legacy da empresa ExcelAire que colidiu com o Boeing da Gol--, mas eles não compareceram.
Os pilotos queriam ser ouvidos nos Estados Unidos, onde moram. Por causa da ausência na audiência, o processo deve continuar à revelia dos dois americanos.
"Ao serem liberados para retornarem, os réus americanos comprometeram-se formal e expressamente a comparecerem a todos os atos do processo", disse o procurador Thiago Lemos de Andrade.
A acusação pediu a prisão preventiva dos dois pilotos, mas o juiz Murilo Mendes, negou. "Não acho que seja o caso. Os réus não se furtaram, por exemplo, ao procedimento de citação que se realizou em território dos americanos", disse o juiz.
Acusação
Em junho último, a Justiça Federal de Mato Grosso aceitou a denúncia (acusação formal) contra os dois pilotos do Legacy e os quatro controladores de tráfego aéreo brasileiros que trabalhavam na ocasião do acidente.
Na denúncia, o procurador Thiago Lemos de Andrade afirmou que a negligência dos seis acusados causou a colisão entre o Legacy e o Boeing, que acabou caindo em Mato Grosso no dia 29 de setembro de 2006.
Apesar de danos na asa, o Legacy conseguiu pousar, e nenhum dos ocupantes se feriu. Os 154 ocupantes do vôo 1907 morreram na queda da aeronave.
Controladores
Segundo a denúncia, o controlador Felipe Santos dos Reis deu instruções erradas aos pilotos do jato, não informando sobre as mudanças de nível que deveriam ocorrer durante o trajeto da aeronave --de São José dos Campos (SP) a Manaus (AM).
O segundo controlador denunciado é Jomarcelo Fernandes dos Santos, que monitorava a área na qual o jato Legacy trafegava em altitude diferente da prevista no plano de vôo --cerca de mil pés acima. Na denúncia, o procurador diz que Santos sabia que o Legacy deveria descer depois de passar por Brasília, mas não alertou os pilotos.
Lucivando Tibúrcio de Alencar, que assumiu o posto de Santos, foi denunciado porque demorou para tentar entrar em contato com o Legacy --cerca de dez minutos após começar a trabalhar-- mesmo sabendo da inoperância do transponder do jato. O quarto controlador acusado é Leandro José Santos de Barros, que auxiliava Alencar.
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