Controlador acusado da queda do vôo 1907 fica calado perante juiz
HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Sinop
O principal controlador de vôo denunciado como responsável pelo acidente com o Boeing da Gol, em setembro de 2006, ficou calado em audiência na Justiça Federal nesta terça-feira em Sinop (MT). A atitude levou o juiz Murilo Mendes a perguntar à advogada de defesa se ela tem ligação com a Aeronáutica, ou seja, se estava coagindo os controladores.
Até a noite de hoje, três dos quatro controladores, que trabalhavam em Brasília no dia do acidente, tinham sido interrogados. Eles chegaram a Sinop em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) com a advogada Ana Cristina Souza e dois estagiários.
O controlador Lucivando Tibúrcio de Alencar, 28, disse que deixou de monitorar o jatinho Legacy, que colidiu com o Boeing matando 154 pessoas, para evitar a colisão entre um avião que decolou de Brasília para o Galeão, no Rio, e outro que vinha de Belo Horizonte (MG) a Goiânia (GO).
O primeiro a depor foi o sargento Felipe Santos dos Reis, 22. Nervoso, o controlador teve dificuldades para entender as perguntas da advogada Souza.
Após duas horas de depoimento de Reis, o juiz chamou para depor o sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos, 39, denunciado por expor a aeronave a perigo, crime do artigo 261 do Código Penal, com pena de dois a cinco anos de prisão.
Pelo mesmo crime foram denunciados outros três controladores e os pilotos do Legacy, Jan Paul Paladino e Joseph Lepore, que colidiu com o Boeing.
Santos foi, porém, denunciado por crime doloso (com intenção), enquanto os demais respondem pela modalidade culposa (sem intenção).
No dia do acidente, Santos deixou de comunicar aos pilotos do Legacy, segundo o MPF, que eles deveriam descer de 37 mil pés para 36 mil, o que evitaria a colisão com o Boeing.
Ao ser questionado pelo juiz, Santos disse que ficaria calado. O procurador da República Thiago Lemos Andrade perguntou ao controlador se os advogados eram da Aeronáutica. "Eu me reservo ao direito de ficar calado", respondeu Santos.
Em seguida o juiz perguntou à advogada Souza se "ela tinha ligação com a Aeronáutica". Ela respondeu que foi contratada junto com dois colegas pelos controladores.
Denunciado pelo Ministério Público Federal por "ser imperito ao dar autorização incompleta de vôo, omitindo" aos pilotos do Legacy que eles deveriam baixar de 37 mil para 36 mil após passar por Brasília, o sargento Reis, primeiro a depor, afirmou à Justiça que agiu corretamente.
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