Quebra-quebra em protesto de camelôs atinge seis lojas no Brás
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
O confronto envolvendo a Polícia Militar e camelôs irregulares que ocorreu na madrugada desta quinta-feira no Brás, famoso centro de comércio popular de São Paulo, deixou seis lojas danificadas, de acordo com a associação de lojistas do bairro. Um dos imóveis teve a porta de ferro amassada e o interior incendiado. Manequins e roupas ficaram destruídos.
Em outra loja, as portas de ferro também foram amassadas. Na manhã desta quarta, o dono observava o trabalho da empresa que fará a troca. "Por enquanto, o prejuízo é de R$ 3.000. Mas, com o serviço de troca da porta, vou ficar fechado durante boa parte do dia", afirmou o comerciante Ibrahim Siyoufi, 47.
O confronto ocorreu entre a madrugada e o começo da manhã. Os camelôs montavam as barracas para realizar a chamada feira da madrugada quando a PM e a GCM (Guarda Civil Metropolitana) iniciaram uma operação para impedir os trabalhos. Os camelôs reagiram, bloqueando a rua Oriente com entulho em chamas.
Os PMs usaram balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral --que emitem sons, luz e fumaça-- para tentar dispersar os manifestantes. Encurralados, os camelôs jogaram uma caçamba de lixo na rua e atiraram pedras e paus. Durante o protesto, sete pessoas foram detidas e encaminhadas a delegacias da região, conforme a PM.
O bloqueio da rua Oriente começou às 3h e terminou às 6h30, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O Corpo de Bombeiros não socorreu feridos.
Repressão
Há meses, a PM, a GCM e a subprefeitura da Mooca integram uma força-tarefa para acabar com a feira que acontece de segunda a sábado, das 3h às 7h. Dela participam cerca de 2.600 camelôs sem TPUs (Termos de Permissão de Uso), dos quais muitos foram retirados em março passado do largo da Concórdia (centro).
Semanas atrás, a prefeitura anunciou a suspensão da emissão de novos TPUs durante um ano. Em portaria publicada no "Diário Oficial" municipal, a administração municipal afirmou que a medida era necessária devido à "necessidade urgente de solucionar os problemas decorrentes do aumento do comércio informal na cidade".
Segurança
Em nota, a Alobrás (Associação de Lojistas do Brás) ressaltou que a segurança dos clientes que desejarem ir ao Brás fazer compras nesta quinta-feira está garantida. O policiamento na região permanece reforçado, Cerca de 80 PMs atuam no local.
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