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Cotidiano
26/06/2000 - 22h18

Criança carente em abrigo da Febem custa R$ 2.000 por mês ao Estado

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GABRIELA ATHIAS, da Folha de S.Paulo

Pelo menos 80% das crianças internas nos três abrigos da Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor), em São Paulo, não estão disponíveis para adoção. Elas estão lá porque suas famílias são muito pobres e não têm condições de sustentá-las.

Como pobreza não é motivo para a destituição do pátrio poder, muitas crianças acabam sendo sustentadas pelo Estado e recebendo a visita dos pais apenas aos finais de semana.

Uma parte do restante sofre de doença física (Aids) ou mental. De acordo com técnicos da Febem, as famílias brasileiras não costumam se interessar por crianças com esse perfil.

Uma criança carente em um abrigo da Febem custa ao Estado, em média, R$ 2.000 mensais. Um dos ex-diretores do abrigo Solar da Alegria diz que, se o Estado conseguisse manter um programa de complementação de renda, muitas crianças poderiam voltar a viver com os pais.

No dia 31 de setembro passado, dos 300 internos nos três abrigos, 57 eram deficientes, sendo 18 casos considerados graves. No fim de 99, a Febem fez convênio com um abrigo e conseguiu transferi-las, mas não há saída para cinco novas crianças que chegaram.

As crianças que restam e que estariam aptas para adoção são geralmente vítimas de maus-tratos. Precisam passar por um longo processo de restituição de pátrio poder. É comum que, depois disso, estejam com 2 ou 3 anos, idade considerada difícil para adoção.

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