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Cotidiano
03/09/2007 - 23h03

Governadores do NE admitem crise na saúde e cobram CPMF

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife

Governadores do Nordeste reunidos nesta segunda-feira em Recife (PE) reconheceram a crise no sistema de saúde pública, defenderam mudanças no modelo de gestão e reivindicaram mais recursos para o setor.

"Só através de uma discussão clara dos mecanismos de gestão, que precisam ser melhorados, e da ampliação do financiamento é que a crise será debelada", disse o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). "Do contrário, ela perdurará por muito tempo ainda."

Cássio defendeu a divisão dos recursos da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) com Estados e municípios e a vinculação total de sua aplicação à saúde. "É muito mais racional, lógico e moderno sob o aspecto de gestão porque, na ponta, são eles quem prestam os serviços."

A solução, disse o tucano, passa por um "pacto sincero, que acabe com o jogo de empurra", disse. "Não tem doente federal, paciente estadual, nem moribundo municipal. O problema é do SUS [Sistema Único de Saúde], o modelo que o Brasil abraçou, que é absolutamente ousado, mas que tem um custo altíssimo de financiamento."

Para Cid Gomes (PSB-CE), o Nordeste, por ser a região com a média de desenvolvimento mais baixa do país, deveria ter melhor tratamento por parte do governo federal em relação aos repasses de recursos.

Wellington Dias (PT-PI) disse que considera a situação da saúde "grave em todo o país", e não só no Nordeste.

Marcelo Déda (PT-SE) afirmou que "há risco de não avançarmos se o governo colocar mais dinheiro sem novos instrumentos de gestão que modernizem a aplicação desses recursos e monitorem os resultados".

Dos governadores presentes à reunião, apenas Jaques Wagner (PT-BA), não comentou o problema. "Não sei de que crise você está falando", respondeu, ao ser questionado sobre a crise da saúde no Nordeste. "Não é que eu não veja [crise no setor], é que, se você não localiza... tem crise em tudo aí", respondeu.

Em Recife, os governadores da Bahia, Pernambuco, Sergipe, Ceará, Piauí e Paraíba, além de representantes do governo de Alagoas e do Maranhão, discutiram a reforma tributária e políticas de desenvolvimento regional.

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