Delegado diz que autores de atentado estão ligados ao Estado
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O delegado-adjunto da DAS (Divisão Anti-Seqüestro) do Rio, Alexandre Neto, afirmou nesta quarta-feira, no quarto do hospital Quinta D'Or (zona norte do Rio), onde está internado, que o autor do atentado que ele sofreu domingo (2) é "muito conhecido". "A gente está envolvido em várias investigações. Isso sempre desagrada quem usa a polícia para obter vantagens."
Neto evitou acusações, mas disse que os autores poderiam estar ligados às polícias Civil e Militar ou à Seap [Secretaria de Administração Penitenciária]. "Eles são muito conhecidos e trabalhavam para o Estado, mas auferiam vantagens diretas do que faziam."
O delegado foi baleado diversas vezes, em frente ao prédio em que mora, em Copacabana (zona sul do Rio). Ele estava a bordo de um carro da Polícia Civil, sem logotipo, e foi atacado por ocupantes de outro veículo. Ontem (4), Neto teve o dedo médio da mão direita amputado, em uma operação que durou quatro horas. O dedo indicador --que teve a base comprometida por um ferimento-- foi implantado no lugar do dedo médio.
Na entrevista concedida nesta quarta-feira, o delegado relembrou a vez que foi ameaçado pela atual deputada federal Marina Maggessi (PPS-RJ), inspetora licenciada da Polícia Civil. Um grampo telefônico flagrou uma conversa ocorrida em 31 de outubro de 2006 na qual ela e o inspetor Hélio Machado da Conceição --preso por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis-- falam em "dar tiros" no delegado.
"Todos ficaram sabendo das ameaças dela [Maggessi]. Ela disse que eu podia tomar um monte de tiros nos cornos. Eu não estou preocupado com isso", disse.
Maggessi afirmou que não está entre os suspeitos da polícia. "Graças a Deus, porque eu já esgotei. Aquilo foi uma expressão minha, conversando com um amigo. Quem fez isso [tentou matar o delegado] agrediu toda a Polícia Civil", disse a deputada à Folha Online.
Mesmo com a tentativa de assassinato, o delegado da DAS garante que irá reforçar suas investigações. "Quando acontece uma coisa dessas com a gente é sinal que estamos no caminho certo. Se eu estivesse no caminho errado não tinha acontecido nada disso."
Idosos
Um casal de idosos ainda não-identificado com quem Neto teria conversado minutos antes do atentado pode ser o trunfo do inquérito que investiga o atentado. Eles podem ser capazes de identificar os autores dos disparos. Segundo Neto, os dois são pessoas conhecidas, com quem ele fala diariamente.
"Certamente eles vão fazer o que acharem melhor. Eu vou procurá-los com calma. Eles têm toda temeridade de não quer falar, ainda mais se aconteceu um atentado comigo que sou delegado, imagina com eles", pontuou o policial.
Matrix
No hospital, Alexandre Neto sorriu descontraído ao ouvir comentários que seu caso pareceu com cenas do filme "Matrix".
"Eu estava saindo de casa. Quando fui ligar o carro ouvi o primeiro disparo e abaixei para me abrigar. Graças a Deus os tiros não me pegaram, acertaram mais a minha mão. 'Matrix' isso aí", disse o policial, que é reconhecido pelo seu bom humor.
Neto é citado como responsável pela elaboração de um dossiê sobre as atividades ilegais do grupo de inspetores conhecido como os "inhos", ligado ao ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins. Os policiais foram presos pela Polícia Federal na Operação Gladiador, que investiga a máfia dos bingos e das máquinas caça-níqueis.
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