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Cotidiano
05/09/2007 - 18h10

Juiz bloqueia prêmio da Mega-Sena disputado por marceneiro e patrão

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

O juiz Edemar Gruber, de Joaçaba (SC), determinou nesta quarta-feira o bloqueio do prêmio de R$ 27,7 milhões da Mega-Sena pago a uma aposta feita na cidade, de acordo com os advogados do marceneiro Flávio Júnior Biassi, 21. Ele acusa o chefe de ter se apropriado indevidamente do bilhete premiado e do dinheiro.

Na ação movida em defesa do marceneiro, os advogados dizem ter testemunhas do momento em que ele deu um papel com as seis dezenas premiadas ao patrão, incumbido de registrar o jogo em uma lotérica; e do momento em que, após o sorteio, o patrão ligou para o pai do funcionário para comunicar o acerto.

De acordo com o advogado Francisco Assis de Lima, outro argumento apresentado ao juiz foi o de que há notícias de que, depois de retirar o prêmio em uma agência da Caixa Econômica Federal, o patrão distribuiu partes dele entre parentes. "Isso é uma demonstração de má-fé, de intenção de se desfazer do valor", afirmou o advogado à Folha Online.

Pelas informações prestadas à Caixa, em Joaçaba, o prêmio foi dividido entre cinco pessoas que acertaram com apenas uma aposta, no valor de R$ 1,50. Neste caso, se a quantia paga pela aposta foi dividida entre os envolvidos, cada um pagou R$ 0,30.

O marceneiro diz que foi à lotérica fazer o jogo premiado no sábado, às 12h30, quando retornava do trabalho com o patrão. Como não havia lugar para estacionar, o chefe o deixou em casa e ficou com R$ 1,50 e os números anotados para fazer a aposta por ele. "Ele fez o jogo dele e o meu. Ficou combinado que, se um dos dois ganhasse, dividiria o prêmio", disse Biassi à Folha.

Conforme as declarações do marceneiro, no domingo, o chefe ligou dizendo que os dois estavam milionários. Na segunda, veio a surpresa. "Eu fui trabalhar e, chegando lá, ele falou que não era nada disso, que o bilhete premiado era um feito com a família dele e me ofereceu R$ 8.000."

Por telefone, a reportagem tentou entrar em contato com o juiz, mas foi informada de que ele não se pronunciaria sobre a decisão porque o processo corre sob sigilo.

A reportagem tentou entrar em contato também com o escritório do advogado do patrão, mas foi informada de que ele não retornará ligações até amanhã (6).

Os outros R$ 27,7 milhões do prêmio foram entregues a uma aposta de Rondônia. Lá, o dinheiro foi dividido entre 13 pessoas, ainda de acordo com a Caixa.

Com Folha de S.Paulo

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