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Cotidiano
05/09/2007 - 18h54

Alvo de atentado, delegado diz que deputado é suspeito de crime

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DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Vítima de um atentado no último domingo, o delegado Alexandre Neto, 48, da DAS (Delegacia Anti-Seqüestro), disse nesta quarta-feira, no hospital Quinta D'Or (zona norte do Rio), que Álvaro Lins é um dos suspeitos de ter encomendado o crime. Neto levou nove tiros, em frente a sua casa, em Copacabana. Ele sofreu uma cirurgia de quatro horas ontem e teve um dedo amputado.

"Não sei [se Lins mandou matá-lo]. É possível, tudo é possível. Ele tem uma vaidade desmesurada. Ele fez tudo para chegar ali, fez o que pode pagar para ganhar voto", destacou o delegado da DAS. Ex-chefe da Polícia Civil, Lins hoje é deputado estadual no Rio pelo PMDB.

Neto afirma que Álvaro Lins chegou a ofendê-lo com um palavrão na Assembléia Legislativa. "Ele [Álvaro Lins] é homem de uma ganância desmesurada. Chegou ao ponto de passar por mim na Assembléia Legislativa, quando fui numa manifestação e me falou um palavrão, eu respondi na mesma hora", destacou o delegado da DAS.

A Folha Online tentou contato com o deputado, mas ele não foi encontrado. "Repudio veemente qualquer vinculação de meu nome ao crime que envolveu o senhor Alexandre Neto. O fato é de extrema gravidade e deve ser alvo de uma investigação rigorosa e imparcial. Espero pela sua pronta recuperação e que seja capaz de auxiliar na identificação de seus agressores", apontou Álvaro Lins, na última segunda-feira, em seu site.

No hospital, Alexandre Neto disse que não pode atribuir quem são os culpados a um grupo específico. "Eu tenho que desconfiar de tudo. Não posso creditar a ele [Álvaro Lins], embora ele seja meu inimigo. O que eu escrevi [artigos] contra ele foi verdade, tanto que nunca fui processado", ressaltou Neto.

Já na segunda-feira, um dia depois da tentativa de assassinato do delegado Alexandre Neto, o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) divulgou no seu site que não tem nenhum envolvimento no caso.

Alexandre Neto também declarou que o IML (Instituto Médico Legal) é superfaturado. " A sacanagem corre solta no IML, que é uma vergonha. O governo Rosinha e Garotinho foi uma vergonha", disse revoltado.

Alexandre Neto diz que a pessoa que cometeu o crime foi incompetente, pois efetuou um serviço mal feito. "Não estou contra ele, estou do lado dele. Se ele é um policial e ganha mal, ele tem que ficar do meu lado e não contra mim. Ele se prestou a fazer um trabalho para alguém para ganhar um dinheiro. Isso é natural, não vejo nada de errado nisso não. Só acho que ele devia tomar um pouco de cuidado, fazer bem feito o trabalho", comentou o delegado sobre o crime.

Neto afirmou que vai tomar precauções ao sair do hospital, mas não pretende mudar sua vida. "Eu tracei meu projeto de vida para ser delegado de polícia, eu não tenho que ter medo de nada", mencionou o policial. "Meu anjo da guarda não estava cochilando", acrescentou.

Alexandre Neto é citado como responsável pela elaboração de um dossiê sobre as atividades ilegais do grupo de inspetores conhecido como os "inhos", ligado ao ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins. Os policiais foram presos pela Polícia Federal na Operação Gladiador, que investiga a máfia dos bingos e das máquinas caça-níqueis.

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