Vigia incendiado em guarita morre em BH
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo horizonte
Reginaldo Gomes era ainda menino, com 11 anos, quando foi entregue à Casa da Acolhida Marista, em Belo Horizonte, para que tentasse se livrar das drogas. Ele conseguiu. Só que oito anos depois, aos 19 anos, ele morreu. Seu corpo foi enterrado nesta quinta-feira. Reginaldo foi vítima de alguém ou algum grupo que ateou fogo a seu corpo quando trabalhava.
Ele foi atacado quando estava em uma guarita de segurança do bairro São Pedro, de classe média, a duas quadras do colégio Marista Dom Silvério, um dos mais tradicionais da cidade. Jogaram um líquido sobre seu corpo e depois o fogo. Reginaldo morreu ontem no hospital.
| Águeda Resende/Divulgação |
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| Alunos do Colégio Marista Dom Silvério, protestam contra a morte de vigia |
O caso veio à tona hoje, denunciado por cerca de 50 alunos do Dom Silvério, que fizeram passeata para informar sobre o ocorrido, pedir punição e "paciência" à sociedade em meio à violência urbana. Foram até a guarita onde Reginaldo trabalhava e fizeram uma oração.
A Polícia Militar informou que essa ocorrência não passou pela corporação, porque Reginaldo foi levado para o Pronto-Socorro João 23, onde a Polícia Civil registrou o crime. A Polícia Civil informou que não há pistas do agressor.
A história de Reginaldo foi contada aos alunos do colégio por meio de uma carta de Lena Sangawa, coordenadora da Casa da Acolhida Marista. Foi escrita quando ele ainda estava vivo, porém em coma induzido para não sentir dor, já que dá cintura para cima todo o seu corpo foi queimado, por isso a pele teve de ser retirada.
Sangawa contou que o ataque ocorreu às 3h de sábado. Reginaldo ainda percorreu cinco quarteirões até chegar a uma lanchonete, onde funcionários acionaram o Samu. Às 3h38 ele deu entrada no João 23, lúcido.
Quando foi acolhido pelos maristas, aos 11 anos, Reginaldo havia acabado de deixar uma fazenda para recuperação de drogados. "A vida nunca fora fácil para ele", escreveu Sangawa na carta, relatando que sua mãe era dependente de álcool e agora está internada em situação delicada em um hospital para aidéticos. O irmão sempre foi ausente e o pai já morreu.
Reginaldo era casado com uma mulher mais velha, que tem um filho da idade dele. Trabalhava como ajudante de pedreiro e, para complementar o orçamento, era vigia de rua há três meses, trabalhando em dias alternados. Ele fazia auto-escola para melhorar de vida.
O ex-ministro dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda (PT), foi à passeata e defendeu a apuração do caso. "Pode ser até um caso isolado, mas pode ser também um ato de um grupo perverso. Descobrir isso é importante."
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