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Cotidiano
10/09/2007 - 21h40

Ganhador da Mega-Sena diz não dar "um centavo" a empregado

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THIAGO REIS
da Agência Folha

Um dos vencedores do segundo maior prêmio da história da Mega-Sena, o empresário de Joaçaba (SC) Altamir José da Igreja, 52, acusado por um funcionário de sua marcenaria de ter se apropriado do bilhete vitorioso, disse nesta segunda-feira que não dará um centavo ao rapaz.

Ele negou que tenha feito um jogo para Flávio Júnior Biassi, 21, que entrou na Justiça e conseguiu bloquear o dinheiro na semana passada.

Por meio de seu advogado, o empresário afirmou que as dezenas sorteadas (03, 04, 08, 30, 45 e 54) se referem a datas de nascimento dele (30/09/54) e da filha (03/04/88).

Segundo Fernando Dias, que defende Igreja, só dois números foram trocados. Como não há a opção do "88", ele anotou "08". Para não jogar quatro dezenas da mesma linha, em vez do "09", preferiu o "45" --o ano 54 invertido, diz.

O prêmio de R$ 55,5 milhões foi dividido com apostadores de Rondônia, que acertaram as dezenas em um bolão. Igreja faturou R$ 27,7 milhões.

Para Dias, não há motivo para o empresário dar dinheiro a Biassi, ainda mais agora que o jovem fez com que ele fosse "execrado publicamente".

À Folha Biassi deu uma versão diferente da de Igreja. Disse que foi a uma casa lotérica fazer o jogo no sábado retrasado, quando voltava do trabalho com o patrão e, como não havia lugar para estacionar, o chefe o deixou em casa, mas ficou com R$ 1,50 e os números anotados para fazer uma aposta por ele.

O jovem afirmou ainda que os números eram uma combinação dos dígitos de seu celular. Biass saiu da cidade dizendo estar sendo ameaçado.

Dias tachou de ridículas as reclamações de ameaças. "Não ia ser nem um pouco inteligente fazer isso com toda a repercussão do caso e o assédio da imprensa. Isso nunca aconteceu." O advogado disse que vai contestar a ação.

Segundo ele, Igreja --que deixou Joaçaba dois dias após o anúncio da Caixa Econômica Federal-- só sacou uma pequena parte do dinheiro para pagar dívidas que tinha na cidade. O restante está bloqueado.

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