BH começa a implantar chips em pit bulls
RENATA BAPTISTA
da Agência Folha
A Prefeitura de Belo Horizonte (MG) começou nesta terça-feira a implantar microchips em cães pit bull. Dez animais receberam os dispositivos, que têm o tamanho de um grão de arroz e armazenam informações do bicho --local do nascimento, idade e vacinas-- e do proprietário --endereço, telefone e números de identidade e CPF.
A medida pretende evitar que cães sejam abandonados e tornar mais ágil o resgate caso se percam ou fujam.
Nos últimos quatro anos, a prefeitura registrou 1.300 ataques de pit bulls na região metropolitana da capital mineira.
Cerca de 2.500 pit bulls foram cadastrados pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), e devem receber o microchip gratuitamente em breve. Para o projeto piloto, a prefeitura disponibilizou 6.000 dispositivos (R$ 10 a unidade).
A gerente do CCZ, Maria do Carmo Araújo, disse que o número de implantes de microchips realizados hoje ficou abaixo do esperado. "Temos recebido muitos telefonemas de pessoas procurando informações. Acho que vamos atender mais cães nos próximos dias."
Segundo Araújo, outras raças de grande porte, como rotweiller e doberman, também devem ser cadastradas.
O primeiro pit bull a receber o dispositivo ontem foi Kamaia, de um ano e quatro meses. De acordo com a proprietária, a manicure Sandra Gomes, 45, ela não sentiu dor durante a implantação do microchip. O microchip é subcutâneo, colocado no dorso do animal com a ajuda de uma seringa.
"Estava muito preocupada, pois a Kamaia pode fugir. Agora fica mais fácil", disse Gomes, que deu ao animal o nome de uma índia de uma história em quadrinhos que leu com a filha.
Na opinião da manicure, muitos donos de pit bulls vão abandoná-los por causa da portaria da Secretaria de Defesa Social, publicada na semana passada, que pretende inibir ataques e disciplinar a criação desses animais.
De acordo com o CCZ, cerca de 50 pit bulls foram abandonados nas ruas de Belo Horizonte em agosto e devem ser sacrificados.
A portaria prevê multa de cerca de R$ 1.600 em casos de ataque, que pode ser dobrada se houver lesão corporal, e triplicada, se houver lesão corporal grave. A ausência do registro renderá multa de R$ 800 para o dono do animal.
"A minha Kamaia é tratada com muito carinho e é dócil. Mas tem gente que cria pit bull para brigar e roubar. Por isso eu quero castrá-la. Não quero que filhotinhos fiquem em mãos erradas", disse Gomes.
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