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Cotidiano
14/09/2007 - 08h49

Butantan agora deixa visitante manipular duas espécies de cobras

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PAULO SAMPAIO
da Folha de S.Paulo

As cobras estão soltas. O Instituto Butantan agora oferece ao visitante a oportunidade de manipular duas espécies não venenosas --a falsa coral e a dormideira. O instituto fica em São Paulo e é referência mundial no estudo de répteis.

Ontem, crianças pegavam as cobras no colo e alisavam como se fossem cães de estimação. A experiência deve se repetir todas as quintas, das 14h30 às 16h. O objetivo é desmistificar a relação de medo com o animal.

"A cobra é talvez o bicho que mais causa aversão às pessoas. Se a gente conseguir fazer com que todo visitante manipule uma, é possível que o preconceito diminua e, em vez de matá-las, passem a preservá-las", acredita o biólogo Otávio Marques, pesquisador do instituto.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
Crianças manipulam cobras não peçonhentas no Butantã
Crianças manipulam cobras não peçonhentas no Butantan

"Só tinha visto cobra em desenho animado", diz Marina Bazzo, 7, encarando bem de perto a falsa coral pendurada em seu pescoço. Encantada, ela sorri enquanto põe o dedo muito próximo da boca da cobra. As duas espécies não mordem.

O pesquisador Marques diz que é importante que as pessoas se familiarizem com o réptil, mas alerta para que não saiam brincando com qualquer cobra. "É perigoso manipular espécies fora daqui, e sem o acompanhamento de um especialista."

A psicóloga Júnia Ferreira, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que a experiência deve ser bem sinalizada pelo instituto para não haver surpresas. "Pegar uma pessoa fóbica desprevenida pode significar uma invasão psicológica."

Júnia explica que a fobia depende da relação cultural que a pessoa desenvolveu com a figura da cobra.

"Sou capaz de matar uma cobra, mas paraliso diante de uma barata", conta a psicóloga Lígia Marcondes, que ontem levou amigos de fora de São Paulo ao Butantan. Ela diz que já trouxe muitas cobras em caixas, do sítio, para o instituto: "Eles davam o soro, eu guardava na geladeira. Graças a Deus, nunca usei."

Segundo o hospital Vital Brasil, que fica no instituto e é referência mundial na produção de soro, são registrados no Brasil cerca de 29 mil acidentes com cobras --90% com jararacas. Só na Grande São Paulo, 300 pessoas se acidentam por ano. Apesar do aquecimento global e de outros fenômenos que precipitam a extinção das espécies, o número de notificações de acidentes com cobras tem aumentado no país por causa da melhor distribuição do soro por região. Hoje, 3.500 municípios recebem o antídoto, diz o médico-chefe do hospital Vital Brasil, Francisco Siqueira.

Instituto Butantã - Endereço: avenida Vital Brasil, 1.500, São Paulo - fone: 0/xx/11/3726 7222

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