Pista de Congonhas contribuiu para acidente do vôo 3054, diz CPI
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
As condições da pista do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) contribuíram para o acidente com o vôo 3054 da TAM, ocorrido no dia 17 de julho e que causou 199 mortes. A constatação é do deputado Marco Maia (PT-RS), que apresenta nesta terça-feira as informações sobre infra-estrutura aeroportuária do relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo.
Segundo o documento, as condições da pista não foram determinantes para o acidente, mas contribuíram para a tragédia. "Embora as investigações ainda não tenham sido concluídas, cresce a impressão de que a situação do piso da pista de Congonhas, no momento da aterrissagem, não teve contribuição determinante para o acidente, sem contudo, deixar de ter sido, sim, um dos fatores contribuintes para aquela tragédia."
O deputado lembra em seu relatório que a pista, no dia do acidente, não possuía ranhuras na pista ("grooving"), áreas de escape nas cabeceiras e é curta (1.940 metros).
Maia questiona o fato de um aeroporto com tantas deficiências ter se transformado em um centro de distribuição de vôos ("hub"). Para ele, faltou um Plano Aeroviário Nacional e, por essa razão, a malha aérea foi configurada de acordo com os interesses das empresas.
"A utilização intensiva de Congonhas decorreu da falta de um planejamento estratégico do transporte aéreo civil, a partir do início dos anos 90, da falta de investimentos do poder público em sistema de transporte eficiente entre o centro da cidade e o aeroporto de Guarulhos [Grande São Paulo] e da omissão das autoridades do setor aéreo que permitiram movimentos em quantidade crítica para um aeroporto localizado dentro da malha urbana e com diversas peculiaridades no que se refere às questões de segurança operacional", ressalva o deputado.
O relator afirmou que está buscando outros fatores que possam ter sido determinantes para o acidente e que isso será incluído no relatório final. Amanhã, o coronel reformado Jairo Junqueira fará uma análise do conteúdo das caixas-pretas do vôo 3054 para os deputados da CPI.
Para a oposição, o relatório deve deixar claro se a pista do aeroporto de Congonhas influenciou ou não no acidente.
"Não há que se ter meio-termo. Isso tem efeitos sobre a responsabilização da Infraero na fiscalização da pista [no dia do acidente]", afirmou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
O relatório final da CPI do Apagão foi dividido em cinco partes. A primeira delas, sobre infra-estrutura aeroportuária, tem 127 páginas e passa por leitura hoje na comissão.
Os demais temas serão controle do espaço aéreo, acidentes dos vôos 1907 da Gol e do 3054 da TAM, marco regulatório e conclusões finais e passarão por leitura na CPI até quinta-feira. Na ocasião, os deputados que fazem parte da comissão poderão fazer intervenções e pedir vistas do relatório.
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