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Cotidiano
18/09/2007 - 17h54

CPI impede quebra de sigilo de deputado ex-presidente da Infraero

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online,em Brasília

O governo federal mobilizou nesta terça-feira sua tropa de choque no Senado e evitaram que a CPI do Apagão Aéreo aprovasse a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado Carlos Wilson (PT-PE), ex-presidente da Infraero.

Ao contrário do tradicional esvaziamento das sessões da CPI --registrado nas últimas semanas-- senadores governistas compareceram em peso ao plenário da comissão para impedir a aprovação do requerimento.

O relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), fez duras críticas à ação dos governistas contra a quebra dos sigilos de Wilson. "Temos um circo armado para impedir que o senhor Carlos Wilson, o grande corrupto e grande bandido da Infraero, seja investigado. Na semana passada, foi o senador Renan Calheiros [absolvido pelo plenário da Casa], hoje será o Carlos Wilson protegido", criticou Demóstenes.

Na opinião do relator, sem as quebras de sigilo do ex-presidente da Infraero a CPI ficará com as mãos amarradas para investigar irregularidades na estatal que administra os aeroportos brasileiros. "Me deixem investigar o senhor Carlos Wilson. Sem isso, teremos uma CPI manca. Se isso acontecer, vamos declarar que no Senado só existe punição para pobres e negros", disse o relator.

O senador Mário Couto (PSDB-PA) chegou a fazer um apelo para Nossa Senhora de Nazaré --padroeira do Estado do Pará-- para que os governistas autorizassem as quebras de sigilo de Wilson. Apesar dos protestos da oposição, a base aliada conseguiu derrubar o requerimento por seis votos a cinco.

"Hoje nos igualamos à Câmara onde a CPI foi criada para abafar as investigações", lamentou Demóstenes.

Os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO), Ideli Salvatti (PT-SC), Wellington Salgado (PMDB-MG), Sibá Machado (PT-AC) e Sergio Zambiazi (PTB-RS) votaram contra a aprovação do requerimento. Como a oposição estava em minoria na CPI, os governistas conseguiram derrubar as quebras de sigilo.

A CPI do Apagão do Senado investiga a crise no setor aéreo instalada no país desde o ano passado. A oposição atribui parte da crise à má gestão do setor pela Infraero, no período em que a estatal era administrada por Wilson.

O ex-presidente da Infraero está afastado de suas atividades na Câmara para tratamento de câncer. Demóstenes se comprometeu com os governistas a não convocá-lo para depor diante de seu frágil estado de saúde.

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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