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Cotidiano
26/09/2007 - 08h00

"O que vou fazer sem os meus filhos?", diz mãe de jovens mortos

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PAULO SAMPAIO
da Folha de S.Paulo

Poucas horas após receber a notícia da morte dos meninos Josenildo, 13, e Francisco, 14, dois de seus cinco filhos, a dona-de-casa Rita de Cássia Alves de Oliveira, 31, chora meio atordoada, na casa de dois cômodos do Jardim Paraná (extremo da zona norte de São Paulo). O lugar está abarrotado de vizinhos, crianças, cachorros e repórteres.

Sentada em uma cama com as costas apoiadas em uma parede de tijolos, Rita responde automaticamente, emendando as frases: "O que eu vou fazer sem meus filhos, meu Deus, eu não sei como eles foram morrer, e agora? Ai, que saudade, não vou agüentar, meu Deus..."

Folha - Como eram os seus filhos?
Rita de Cássia Alves de Oliveira - O Neném [Josenildo, 13], o mais novo, era muito caseiro, tão apegado a mim que eu tinha de pedir a ele para sair e se divertir. O Neto [Francisco, 14] também nunca deu problema. Adorava soltar pipa e jogar bolinha de gude. Estamos em setembro e nenhum dos dois tinha falta na caderneta da escola.

Folha - A senhora trabalha?
Rita - Tô parada porque preciso dar atenção à minha filha mais nova, que nasceu de seis meses. Ela tem estrabismo, não enxerga de um olho e puxa da perna. O Neném adorava as duas [Kailane, 4, e Kauane, 3]. Preferia ficar em casa brincando com elas do que sair.

Folha - Os vizinhos dizem que o Neném quase não falava.
Rita - Ele era mudo até pouco tempo. Mas aí começou a falar. Era nervoso, coitadinho [chorando muito], gaguejava.

Folha - Eles tinham costume de ir na mata?
Rita - O Neném foi só duas vezes. O Neto estava mais acostumado, então eu deixei o mais novo ir com ele. Eles gostavam de um pé de jaca que tinha lá.

Folha - Quando a senhora desconfiou que alguma coisa ruim tinha acontecido?
Rita - Já no próprio sábado. Eles saíram daqui por volta de 11h e, lá pelas duas, pedi ao irmão mais velho deles, o José Francisco (16), que fosse ver o que houve. Ele foi, mas voltou sem notícia. Por volta das seis da tarde, eu já estava muito preocupada e mandei chamar meu marido. Juntaram um grupo de homens e entraram na mata. Mas eram 23h quando eles voltaram sem notícia. Registramos o B.O., mas a polícia só deu atenção no outro dia, domingo, ao meio-dia. Eu ligava, me diziam que não era ali, davam outro número, me mandavam ligar para outro...

Folha - A senhora tem raiva?
Rita - Raiva? [soluço]. Eu sinto mágoa. Esses meninos nunca fizeram mal a ninguém.

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Comentários dos leitores
André Vaz (1) 05/04/2008 13h53
André Vaz (1) 05/04/2008 13h53
SAO PAULO / SP
Enquanto o ser humano, não for capaz de controlar seus instintos mais primitivos, sua ignorância e intolerância. Vai ser cada dia mais comum vermos noticias de barbaridades e violência ums contras ou outros. Temos que parar e analisar á que ponto chegamos ou chegaremos sendo inexoráveis ou insurgentes. As vezes um simples abraço ou um sorriso pode mudar uma situação, que nos levaria a chorar, estampados em uma pagina policial. 15 opiniões
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Andreia Santos (1) 31/03/2008 01h12
Andreia Santos (1) 31/03/2008 01h12
SAO PAULO / SP
Meu nome é andreia sou amiga de Edison Cabugueira que por motivos de tolerância zero do GCM foi baleado na perna por ter reclamado do clube que só tinha segurança em eventos
Por mais que ele tivesse errado o guarda jamais teria que dar um tiro nele ainda mais na frente do seu filho de apenas três anos de idade que por sinal pode ficar com medo de frequentar o clube novamente,sou amiga do Edison Cabugueira a 15 anos e não tenho o que falar dele a não ser que ele é uma pessoa simples e muito querido pelos moradores da rua aonde mora e pelo inúmeros de amigos que ele tem que não são poucos.
33 opiniões
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Bruno de Oliva (8) 30/03/2008 22h43
Bruno de Oliva (8) 30/03/2008 22h43
Descoberto o culpado, joguem-no de cabeça, e amarrado, pela mesma janela que jogou a criança. O código de hamurabi está em falta hoje em dia... 10 opiniões
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