"O que vou fazer sem os meus filhos?", diz mãe de jovens mortos
PAULO SAMPAIO
da Folha de S.Paulo
Poucas horas após receber a notícia da morte dos meninos Josenildo, 13, e Francisco, 14, dois de seus cinco filhos, a dona-de-casa Rita de Cássia Alves de Oliveira, 31, chora meio atordoada, na casa de dois cômodos do Jardim Paraná (extremo da zona norte de São Paulo). O lugar está abarrotado de vizinhos, crianças, cachorros e repórteres.
Sentada em uma cama com as costas apoiadas em uma parede de tijolos, Rita responde automaticamente, emendando as frases: "O que eu vou fazer sem meus filhos, meu Deus, eu não sei como eles foram morrer, e agora? Ai, que saudade, não vou agüentar, meu Deus..."
Folha - Como eram os seus filhos?
Rita de Cássia Alves de Oliveira - O Neném [Josenildo, 13], o mais novo, era muito caseiro, tão apegado a mim que eu tinha de pedir a ele para sair e se divertir. O Neto [Francisco, 14] também nunca deu problema. Adorava soltar pipa e jogar bolinha de gude. Estamos em setembro e nenhum dos dois tinha falta na caderneta da escola.
Folha - A senhora trabalha?
Rita - Tô parada porque preciso dar atenção à minha filha mais nova, que nasceu de seis meses. Ela tem estrabismo, não enxerga de um olho e puxa da perna. O Neném adorava as duas [Kailane, 4, e Kauane, 3]. Preferia ficar em casa brincando com elas do que sair.
Folha - Os vizinhos dizem que o Neném quase não falava.
Rita - Ele era mudo até pouco tempo. Mas aí começou a falar. Era nervoso, coitadinho [chorando muito], gaguejava.
Folha - Eles tinham costume de ir na mata?
Rita - O Neném foi só duas vezes. O Neto estava mais acostumado, então eu deixei o mais novo ir com ele. Eles gostavam de um pé de jaca que tinha lá.
Folha - Quando a senhora desconfiou que alguma coisa ruim tinha acontecido?
Rita - Já no próprio sábado. Eles saíram daqui por volta de 11h e, lá pelas duas, pedi ao irmão mais velho deles, o José Francisco (16), que fosse ver o que houve. Ele foi, mas voltou sem notícia. Por volta das seis da tarde, eu já estava muito preocupada e mandei chamar meu marido. Juntaram um grupo de homens e entraram na mata. Mas eram 23h quando eles voltaram sem notícia. Registramos o B.O., mas a polícia só deu atenção no outro dia, domingo, ao meio-dia. Eu ligava, me diziam que não era ali, davam outro número, me mandavam ligar para outro...
Folha - A senhora tem raiva?
Rita - Raiva? [soluço]. Eu sinto mágoa. Esses meninos nunca fizeram mal a ninguém.
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Por mais que ele tivesse errado o guarda jamais teria que dar um tiro nele ainda mais na frente do seu filho de apenas três anos de idade que por sinal pode ficar com medo de frequentar o clube novamente,sou amiga do Edison Cabugueira a 15 anos e não tenho o que falar dele a não ser que ele é uma pessoa simples e muito querido pelos moradores da rua aonde mora e pelo inúmeros de amigos que ele tem que não são poucos.
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