Cotidiano
29/09/2007 - 08h46

Parentes de vítimas do vôo 1907 recorrem à Justiça brasileira e dos EUA

da Folha Online

Familiares das vítimas do vôo Gol 1907, que caiu há um ano em Mato Grosso, recorreram às Justiças brasileira e americana em busca de indenizações. O Boeing da Gol caiu após colidir com um jato Legacy da empresa americana ExcelAire que fazia sua primeira viagem. Todos os 154 ocupantes do avião morreram.

De acordo com a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, no Brasil, apenas cinco famílias apresentaram ações na Justiça brasileira em busca de indenizações. Outras aceitaram acordos com a Gol.

Sérgio Lima/Folha Imagem
Jato Legacy pilotado por Lepore e Paladino se chocou no ar com o Boeing da Gol
Jato Legacy pilotado por Lepore e Paladino se chocou no ar com o Boeing da Gol

Passado o primeiro ano do acidente, a empresa aérea informou que as negociações já resultaram em acordos de indenização com 32 famílias de vítimas --em um total de 82 beneficiados--, que asseguram a mesma renda que a vítima tinha quando morreu. Os valores pagos não foram divulgados.

Na Justiça americana, uma nova audiência está marcada para terça-feira (2), em Nova York. Segundo o advogado Leonardo Amarante, que representa parte das famílias nos Estados Unidos, ela irá definir se a Justiça americana vai aceitar ou não o processo cível. Os réus acionados são a ExcelAire e a Honeywell, fabricante do transponder --sistema anticolisão-- do Legacy e os dois pilotos americanos Joe Lepore e Jan Paul Paladino.

"Nos Estados Unidos os valores para a indenização são mais justos do que os praticados no Brasil e, afinal, os envolvidos são americanos", diz Amarante. O advogado diz que a expectativa é a de que a ação renda cerca de US$ 2 milhões (R$ 4,2 milhões) por família. "Esta decisão sobre o foro é ainda mais importante que o próprio mérito da ação porque significa a permanência da ação nos EUA", acredita Amarante. No total, advogados representam cerca de 120 famílias nos Estados Unidos.

Em agosto, a Justiça do Rio condenou a Gol a pagar R$ 2,14 milhões para a família da metrologista Quézia Gonçalves Moreira, uma das vítimas. A decisão do juiz Mauro Nicolau Junior, da 48ª Vara Cível, assegura indenização de R$ 1,14 milhão por danos morais aos familiares e pensões que somam R$ 999.426 ao pai, à mãe e ao irmão de Quézia. É a primeira decisão sobre indenizações envolvendo o acidente. A Gol recorreu.

Em fevereiro deste ano, a família da vítima já havia sido beneficiada com outra decisão, mas que obrigava a Gol apenas a pagar uma pensão de R$ 3.500 aos familiares.

Ainda no ano passado, a juíza Ione Pernes, da 27ª vara Cível do Rio, já havia estabelecido o pagamento de R$ 10 mil por mês aos parentes do engenheiro Kelison Castelo Branco. A decisão também era provisória e foi tomada antes do julgamento do mérito do caso.

Saúde

A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, que atualmente representa cerca de 50 famílias, também reivindica a renovação do plano de saúde por parte da Gol. "Queremos a renovação por mais um período porque familiares ainda não receberam indenização e não têm condições de se manter", disse Angelita de Marchi, presidente da associação.

A Gol afirma que 210 pessoas contaram com assistência médica e psicológica oferecida pela rede credenciada da Sul América e afirma que, agora, apenas a assistência psicológica será mantida por mais um ano. "O plano [de saúde], inicialmente válido por 12 meses, registrou pouca utilização no período. Do total desembolsado à seguradora em pagamento dos prêmios mensais, apenas 10% foram efetivamente usados, ou seja, revertidos em consultas, exames e outros procedimentos médicos", disse a empresa aérea em nota.

"A associação tem como principais objetivos buscar a justiça, a verdade, a punição dos culpados e dar assistência, na medida do possível, aos familiares", afirmou Angelita.

Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online, e RENATO SANTIAGO, da Folha Online

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 1 opinião
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 2 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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