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Cotidiano
02/10/2007 - 02h35

Aeronáutica aponta erros de controladores em acidente com o vôo 1907

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da Folha Online

O Comando da Aeronáutica encaminhou à Justiça Militar o IPM (Inquérito Policial Militar) que responsabiliza cinco controladores de tráfego aéreo por "materialidade e indícios de autoria de crime" no acidente com o vôo 1907 da Gol, ocorrido há um ano, informa reportagem da colunista Eliane Cantanhêde, publicada na edição desta terça-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL). O acidente matou 154 pessoas.

A Folha revela que o IPM (Inquérito Policial Militar) encontrou 11 "fatores preponderantes" para o acidente, desencadeados pelos controladores ou pelos pilotos do jato Legacy --que colidiu com o Boeing da Gol. O documento, de 77 páginas, foi encaminhado à Justiça Militar pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, no dia 19 de julho.

No documento, a atuação dos controladores no dia da queda é classificada com termos como "displicência", "relaxamento", "falta de diligência" e "demora excessiva" nas tentativas de comunicação.

O Boeing 737/800 que realizava o vôo 1907 (Manaus-Brasília-Rio de Janeiro) caiu em 29 de setembro do ano passado, no norte de Mato Grosso, depois de bater em um jato Legacy que voava no sentido contrário. As 154 pessoas --148 passageiros e seis tripulantes-- que estavam na aeronave morreram. Os sete ocupantes do Legacy sobreviveram depois de um pouso de emergência na serra do Cachimbo.

Fora da esfera militar, as investigações da PF (Polícia Federal) terminaram com a acusação de quatro controladores e dos dois pilotos do Legacy. Os controladores denunciados à Justiça Comum são Felipe Santos dos Reis, Jomarcelo Fernandes dos Santos, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros.

Todos eles são do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), de Brasília, e também fazem parte de lista de indiciados pela FAB. A Aeronáutica, no entanto, indiciou também o controlador João Batista da Silva, de São José dos Campos (91 km a nordeste de São Paulo), de onde o Legacy decolou tendo os Estados Unidos como destino final.

Um ano

Familiares de vítimas do acidente com o vôo 1907 da Gol realizaram no domingo (30) uma passeata no parque da Cidade, em Brasília, para lembrar o primeiro ano do acidente. De acordo com a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, cerca de 200 camisetas foram distribuídas a freqüentadores do parque, e muitos se uniram à manifestação.

A camiseta continha o número 353 --a soma dos 154 mortos na queda do Boeing da Gol e os 199 mortos em conseqüência do acidente com o Airbus da TAM, ocorrido em julho último em São Paulo-- e a frase 'clamamos por justiça'.

As principais reivindicações dos familiares são a conclusão das investigações sobre o acidente pela Aeronáutica. No sábado, um ato ecumênico foi realizado pela Gol no Jardim Botânico de Brasília. No local foram plantados 154 ipês em homenagem aos mortos.

Também no sábado, um outro grupo de parentes sobrevoou o local do acidente em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). Outros realizaram homenagens nas cidades em que vivem, como Porto Alegre, Manaus, Recife, Rio, Salvador, Anápolis (GO) e na região de Campinas (SP).

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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