Polícia Militar do Ceará é suspeita de matar mulher inocente
KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza
A Polícia Civil do Ceará investiga se uma dona-de-casa de 49 anos foi morta após ser agredida por policiais militares, na periferia de Fortaleza.
Os PMs procuravam uma arma de um oficial do Corpo de Bombeiros, que teria sido roubada por Erivelton Fernandes, sobrinho de Nilce Nascimento da Silva. Ele teria escondido a arma na casa de uma irmã.
Logo após prender Fernandes, ontem, os policiais foram procurar a arma. Em depoimento, eles disseram que Silva passou mal quando ia abrir a porta da casa para ser feita a apreensão, disse o delegado Tarcísio Coelho.
Os policiais, segundo o delegado, levaram Silva a um hospital, mas ela chegou morta ao local. O delegado disse ainda que mandado de busca era "desnecessário" no caso, pois havia situação de flagrante.
A filha de Nilce, Geane Nascimento, afirmou a uma TV cearense que a mãe foi maltratada e agredida pelos policiais, e que morreu por causa disso. Ela ainda não prestou depoimento à polícia. A reportagem não a localizou.
"Acredito que apenas o laudo cadavérico vá confirmar qual a causa da morte", disse o delegado. Entre as hipóteses, está a de que Silva tenha sofrido um ataque cardíaco.
Segundo caso
O caso da morte da dona-de-casa ocorre uma semana após policiais militares do Estado terem atirado em um carro com inocentes, ao confundi-lo com outro que era usado por ladrões. Duas pessoas foram baleadas --o turista espanhol Marcelino Ruiz Pompeu, que havia acabado de chegar a Fortaleza, ficou paraplégico.
Os sete policiais que participaram da abordagem foram indiciados sob suspeita de tentativa de homicídio e afastados das ruas.
Por causa do erro cometido por policiais na semana passada, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Ceará enviou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, um pedido para federalizar a investigação e o eventual processo do caso.
Segundo o presidente da OAB no Estado, Hélio Leitão, a medida é necessária por se tratar de violação grave aos direitos humanos. O pedido inclui outros casos de suspeita de violência policial.
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