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Cotidiano
11/10/2007 - 17h03

Motorista de caminhão desobedeceu sinal para parar; ele alega ter perdido o freio

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da Folha Online

Testemunhas da tragédia ocorrida na BR-282 em Descanso (SC), na última terça-feira, relataram à Polícia Civil que o motorista do caminhão que provocou o segundo acidente não obedeceu aos sinais de policiais rodoviários para parar. No total, 27 pessoas morreram e cerca de 90 ficaram feridas.

Rosinei Ferrari, 28, trafegava na contramão para desviar do congestionamento que se formou na outra pista da via devido ao primeiro acidente. Ele teria passado em alta velocidade pelos carros parados na fila, segundo a polícia. Ferrari, que dirigia a carreta, alegou que o freio não funcionou quando ele viu a pista interditada.

O motorista foi indiciado por homicídio doloso (com intenção) eventual devido a essa imprudência. Os acidentes deixaram 27 pessoas mortas.

Divulgação
O motorista Rosinei Ferrari
O motorista Rosinei Ferrari

De acordo com o delegado Rodrigo César Barbosa, titular da Delegacia de Maravilha, município da região, as testemunhas são policiais rodoviários que atuavam no local e motoristas, que estavam parados no congestionamento enquanto as equipes de resgate trabalhavam no primeiro acidente.

"Essas provas serviram para prendê-lo. Ouvimos testemunhas, vimos fotografias. Muitos disseram que o motorista estava em alta velocidade e que os policiais sinalizaram para ele parar, mas ele não parou. Alguns ainda disseram que ele saiu, em alta velocidade, da fila do congestionamento", afirmou o delegado, que fez o flagrante.

Ferrari está internado no Hospital São José, em Maravilha. O delegado foi até ele para levar a cientificação de prisão.

"Não foi colher depoimento, não tenho o direito de exigir isso. Perguntei sobre o que ocorreu no acidente por curiosidade. Ele [Ferrari] me disse que tentou frear e não conseguiu. Respondeu objetivamente", disse Barbosa.

O inquérito sobre os acidentes será elaborado pela Delegacia de Descanso. Os depoimentos já foram encaminhados para a unidade, segundo o delegado de Maravilha.

O resultado dos laudos do tacógrafo, que vão apontar a velocidade em que o caminhão estava, e do sangue colhido do motorista --que pode apontar se ele estava alcoolizado-- devem sair antes de completar dez dias do acidente, segundo Barbosa.

"Como o suspeito está preso, o delegado [de Descanso] tem dez dias para concluir o inquérito. Por isso, os resultados dos laudos devem sair antes, a pedido da chefia regional da polícia", afirmou o delegado de Maravilha.

Ferrari deve prestar depoimento formalmente quando deixar o hospital. Ele está sob a escolta da Polícia Militar e deve permanecer internado até sexta-feira (12), segundo informações passadas pelos médicos ao delegado.

Quando sair do hospital, Ferrari será levado para a cadeia de Descanso, onde permanecerá preso durante o desenvolvimento do inquérito.

Os acidentes

O primeiro acidente aconteceu por volta das 19h30 de terça-feira (9). Um caminhão tentou uma ultrapassagem em uma curva e bateu de frente com um ônibus fretado que transportava cerca de 40 pessoas e ia de Chapecó para São José do Cedro.

Os veículos tombaram, saíram da pista e caíram de uma altura de 30 metros. Houve incêndio no ônibus, segundo a Polícia Rodoviária Federal. O acidente deixou sete mortos, entre eles o motorista do caminhão.

Folha Online/Folha Online

Por volta das 21h, enquanto as equipes ainda trabalhavam no resgate das vítimas, o caminhão carregado com açúcar, dirigido por Ferrari, entrou na contramão, passou pela fila que se formava, colidiu com os veículos que prestavam socorro às vítimas e atropelou as pessoas que estavam no local.

O último corpo foi resgatado na tarde de quarta-feira (10). Um menino de 4 anos que estava sob um dos caminhões envolvidos na seqüência de acidentes.

Do total de vítimas, 25 morreram no local do acidente --o maior ocorrido no Estado desde 2000. Dois homens morreram em hospitais de São Miguel do Oeste, cidade vizinha a Descanso. Entre os mortos estão quatro bombeiros, um policial militar e um cinegrafista da RBS.

Cerca de 90 pessoas que ficaram feridas estão internadas em hospitais de cidades da região --Chapecó, São Miguel do Oeste, Maravilha e Pinhalzinho.

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Comentários dos leitores
Fabio Schuler Leite (1) 03/11/2007 02h09
Fabio Schuler Leite (1) 03/11/2007 02h09
Gostaria de me informar mais sobre os processos de artistas,politicos e principalmente jogadores de futebol envolvidos em acidentes como esse,o que foi feito pela justica contra os acima citados? Acredito que a lei seja unica e sirva para todos,independente de raca,religiao e classe social,nao e mesmo? 19 opiniões
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dionizio barbosa (1) 02/11/2007 23h49
dionizio barbosa (1) 02/11/2007 23h49
RECIFE / PE
No Brasil, são dois pesos e duas medidas. Se é justo que um camioneiro seja preso e acusado de crime doloso (ele estava trabalhando com um caminhão sem freio) que dizer do promotor bêbado que atravessou a pista, ia em alta velocidade e atropelou e matou três? Por que, também, não está na cadeia? 24 opiniões
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Marcelo da Luz (3) 02/11/2007 23h49
Marcelo da Luz (3) 02/11/2007 23h49
CURITIBA / PR
Se fosse um promotor embriagado nem tinha ido preso, mas como é um trabalhador que conduzia um caminhão impróprio, fornecido pelo patrão, vai mofar na cadeia pro resto da vida. Ninguém mandou ser trouxa (trabalhador), se estivesse no serviço público a impunidade seria garantida por lei, aqui no Brasil trabalhadores (otários) só servem mesmo pra sustentar promotores assassinos bêbados (e Renans...), pra pagar impostos e pra ir em cana quando os equipamentos de trabalho que os patrões lhes impõe não funcionam... 34 opiniões
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