Servidor que multou Perdigão por poluir córrego é afastado
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
O diretor de Meio Ambiente de Rio Verde (GO), responsável pela autuação de empresas que contaminaram um córrego que abastece a cidade, foi afastado do cargo pela prefeitura do município por uma suspeita de corrupção.
A defesa de Rogério Santos Marques, que trabalhou 17 anos em inspeções na área de meio ambiente no município, diz que ele está sendo perseguido por ações de fiscalização no município, que tem 133 mil habitantes.
O ex-diretor ajudou a propor autuações a três fábricas por contaminação do rio em setembro. As multas sugeridas somam R$ 20 milhões.
Entre as empresas está a Perdigão. Um problema em uma fábrica da marca provocou a queda de restos de animais no córrego em 14 de setembro. O acidente fez com que água contaminada fosse distribuída para 93% da população do município. A Perdigão já foi multada pelo governo de Goiás em R$ 500 mil.
A assessoria de comunicação da prefeitura diz que o ex-diretor de meio ambiente foi afastado por causa de uma sindicância que apura um suborno. A prefeitura nega que a medida tenha relação com fiscalizações e diz que a apuração está próxima de ser concluída.
A suspensão de Marques foi consumada na quinta-feira da semana passada. A defesa do funcionário diz que na sexta-feira ocorreria uma reunião que iria definir medidas que as empresas deveriam tomar para reparar os danos causados ao meio ambiente.
Um pedido para reintegrá-lo ao cargo será encaminhado à Justiça pelo advogado dele. A defesa também pediu que o Ministério Público do Estado interceda no caso.
A Folha tentou localizar o secretário de Meio Ambiente do município ontem, mas ele não foi encontrado para comentar o caso.
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