Roteirista de "Tropa de Elite" diz não acreditar que filme provocou morte de agente
da Agência Folha, em Recife
O roteirista do filme "Tropa de Elite", capitão reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro e ex-integrante do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Rodrigo Pimentel, disse nesta terça-feira não acreditar que a obra tenha causado a morte, em Recife, do agente penitenciário Ivson Correia de Oliveira Santos, 39.
Disse, contudo, que o filme pode ter sido um "catalisador" de problemas pessoais do carcereiro. "Não causou, mas pode ter sido um catalisador para alguém com angústia, estresse e problemas pessoais."
Santos foi baleado no peito na noite de anteontem, durante exibição do filme em um shopping. Pimentel diz não se sentir culpado pelo incidente e que acredita em suicídio.
Folha - Como o sr. avalia essa morte no cinema?
Rodrigo Pimentel - Não acredito em acidente. Acredito em suicídio. Um profissional de segurança não manejaria uma arma em ambiente confinado, apontando-a para o peito. Lamento profundamente o ocorrido e sou solidário à família da vítima.
Folha - O filme teve influência?
Pimentel - Entendo que o filme não foi o causador [da morte], mas pode ter sido um catalisador. O filme provoca introspecção, agonia e tristeza na sociedade e desperta esses sentimentos com mais intensidade nesses profissionais.
Folha - O sr vê risco de isso se repetir?
Pimentel - Foi um caso inusitado, muito isolado. "Tropa de Elite" já foi visto por um milhão de pessoas nos cinemas e 12 milhões nas cópias piratas e nada aconteceu. Lembro que a média de suicídios entre os policiais é oito vezes maior do que a média na sociedade civil.
Folha - Como o sr se sente?
Pimentel - Não me sinto culpado. A tela retrata a violência da sociedade. A violência não sai da tela para a sociedade. Não motiva, não tortura, não assassina. É o inverso o que acontece.
Folha - O que devem fazer os policiais que se sentirem deprimidos com o filme?
Pimentel - Sugiro que o policial emocionado procure um amigo, a religião, a família, e faça sua emoção transbordar para que isso não se acumule.
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