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Cotidiano
18/10/2007 - 10h16

Delegado ferido no Rio deixa hospital; tiroteio causou 12 mortes

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da Folha Online
da Folha de S.Paulo, no Rio

Ferido ontem durante tiroteio na favela da Coréia, em Senador Camará (zona oeste do Rio), o delegado-titular da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), Rodrigo Oliveira, recebeu alta do Hospital Miguel Couto na manhã desta quinta-feira. A operação da Polícia Civil deixou ainda outras três pessoas feridas e 12 mortas, entre elas um menino de quatro anos.

No total, 14 suspeitos foram detidos, sendo dois adolescentes. Uma metralhadora ponto 30 (a 11ª nos últimos dez meses) foi apreendida, com cinco fuzis, seis pistolas, quatro granadas, munição e drogas. Um ônibus foi incendiado em represália à operação policial.

A ação foi elogiada pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), pelo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e pelo chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro.

"Não serão ações leves que vão resolver um problema crônico, como o tráfico no Rio. Essa reação dos traficantes não vai nos inibir. A polícia não entra na favela para matar, mas também não entra para morrer", afirmou Beltrame.

"A Secretaria de Segurança tem carta branca para agir contra os traficantes. Ela tem o meu estímulo para trabalhar nessa direção", declarou o governador Sérgio Cabral.

No primeiro semestre deste ano, o número de mortos em confronto com a polícia do Rio aumentou 33,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2006, houve 520 casos de autos de resistência no Estado; neste ano, o número cresceu para 624 casos.

Operação policial

A operação na favela contou com 350 policiais civis de diversas delegacias da cidade que foram cumprir mandados de prisão e tentar localizar um depósito de armas no local. Blindados e o helicóptero da Core, o grupamento de elite da Polícia Civil do Rio, foram usados na ação.

Com a chegada dos policiais, tiros foram disparados e granadas foram lançadas. Moradores entraram em pânico. Comércio e escolas fecharam.

Ao tentar localizar o endereço de um suposto esconderijo de armas, o investigador da Polinter Sérgio da Silva Coelho, 43, foi morto por um grupo de homens que ocupava a casa onde estaria o armamento.

Em frente ao local onde Coelho foi morto morava a família de Jorge Cauã Silva Lacerda, 4, que foi atingido por um tiro no tórax. Ao perceber que havia uma criança ferida, o inspetor da Polinter Marcelo dos Santos Fernandes Silva entrou na casa e resgatou o menino. A criança, no entanto, chegou morta ao hospital Albert Schweitzer, de acordo com a assessoria da Secretaria Estadual da Saúde.

Com o tiroteio, foi pedido reforço e mais 150 policiais foram acionados. Novos confrontos ocorreram, com policiais atirando do helicóptero.

Um grupo de supostos traficantes fugiu pela mata que fica atrás da favela, na localidade conhecida como Mangueirinha. Policiais da Core iniciaram nova perseguição. Imagens de equipes de televisão mostram os supostos traficantes sendo alvejados e mortos.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que as operações policiais continuarão sendo realizadas e que a Secretaria da Segurança tem seu incentivo para que mantenha ações planejadas e que evitem a morte de pessoas inocentes.

Feridos

O delegado-titular da Core foi atingido na coluna cervical, sem lesão neurológica, afirma a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde, responsável pelo Hospital Miguel Couto.

Outros três feridos foram atendidos no Hospital Albert Schweitzer. São Marcelo dos Santos Fernandes Silva, 25 --ferido na coxa esquerda e liberado; e os policiais civis Mendel Naschpitz, 32 --atingido por estilhaço de granada no nariz, medicado e liberado; e Gilberto Barbosa da Silva, 51 --ferido com um tiro na mão esquerda.

Gilberto sofreu fratura exposta e seria submetido a uma cirurgia. De acordo com a Secretaria da Saúde, ele foi transferido para um hospital particular.

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