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Cotidiano
23/10/2007 - 21h22

Venda de leite adulterado pode gerar multa de R$ 1,5 mi a empresas

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da Folha Online

A venda de leite com irregularidades pode gerar multa de até R$ 1,5 milhão, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ontem (22), 27 pessoas ligadas a duas cooperativas (a Coopervale e a Casmil) foram presas na operação Ouro Branco. Catorze permanecem detidas em Uberaba e Passos, ambas em Minas Gerais.

As sanções, segundo a agência, começam com advertência, mas podem chegar a multa. A agência informou que começará as análises no leite das empresas que compravam das cooperativas "assim que receber o balanço da operação da Polícia Federal".

A Anvisa orienta os consumidores que perceberem diferenças na cor, no cheiro ou no sabor do leite a procurar a agência pelo e-mail alimentos@anvisa.gov.br.

Coopervale e Casmil, segundo as investigações "batizavam" o leite com soro para aumentar seu volume e adicionavam produtos químicos --água oxigenada, soda cáustica, entre outros-- para que ele durasse mais tempo e disfarçasse a validade vencida. A fraude foi descoberta após denúncias de outras cooperativas e de ex-funcionários das empresas. O engenheiro químico preso pela PF teria vendido a fórmula da fraude para outros laticínios.

Intervenção

Hoje, a Justiça Federal nomeou um interventor na Coopervale, Geraldo Cardoso Sobrinho, nome recomendado pelo Ministério Público Federal, que assumiu a cooperativa enquanto seus diretores estiveram presos. A cúpula da cooperativa teve prisão temporária --de cinco dias, renováveis por mais cinco-- decretada.

'Vejo a medida necessária no sentido de preservar eventuais provas que ainda necessitem ser colhidas pela Polícia Federal, o que poderá ser assegurado com a nomeação de pessoa de reconhecida qualificação profissional', afirma a medida.

Recolhimento

Nesta terça-feira, o Ministério Público Estadual determinou o recolhimento de leite longa vida das marcas Calu, Parmalat e Centenário em 18 supermercados em Uberaba (MG). A medida é preventiva.

Os estoques das três marcas, que seriam compradores da Coopervale e da Casmil, devem ser retirados das prateleiras e mantidos nos estoques dos mercados enquanto os laudos do Ministério da Agricultura, que avaliam a qualidade dos produtos, não ficam prontos.

Em nota, a Parmalat disse que comprava apenas leite cru dos envolvidos e que "não adquire produtos processados, envasados ou embalados nas fábricas da Casmil e da Coopervale, citadas na operação Ouro Branco."

A empresa diz ainda que "para tranqüilizar ainda mais os fornecedores e consumidores, a empresa encaminhou mais de 50 amostras de todo o Brasil para análise, procedimento este que é rotineiro."

A Calu, também em nota, declarou "que não tem nenhum vínculo comercial (envase, compra ou venda de leite) com as cooperativas envolvidas na suposta denúncia de adulteração de leite em Minas Gerais."

A reportagem não conseguiu localizar representantes do leite Centenário na noite de hoje.

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