CPI pede indiciamento de 21 por fraudes na Infraero
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acredita que uma quadrilha agia dentro da Infraero (estatal que administra os aeroportos) e que esse grupo foi responsável por uma série de irregularidade nas obras de construção e reformas de aeroportos. Ele pede ainda o indiciamento de 21 pessoas, entre elas o ex-presidente da estatal Carlos Wilson (PT-PE).
"Existia sim uma quadrilha que tomava conta da Infraero", afirmou ele ao apresentar o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo.
No documento apresentado aos senadores, Torres afirma que essas irregularidades independem dos ocupantes da direção da estatal. "O problema é suprapartidário e permeia mais de um governo", diz o texto.
Ele aponta, com base em dados do TCU (Tribunal de Contas da União), ainda um sobrepreço nas obras dos principais aeroportos brasileiros. No Santos Dumont, no Rio, seria de R$ 41 milhões. Já no aeroporto de Brasília, as obras de ampliação teriam custado 122% acima do necessário e em Congonhas, em São Paulo, R$ 12 milhões. O maior sobrepreço foi apontado nas obras do aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo), R$ 254 milhões.
Além dos 21 pedidos de indiciamento, o senador recomenda o aprofundamento das investigações sobre seis outras pessoas citadas no relatório.
No entanto, o senador admite que seu relatório não é conclusivo e que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal terão que investigar as construtoras envolvidas para comprovarem as irregularidades nas obras em seis aeroportos (Congonhas, Goiânia, Vitória, Santos Dumont, Guarulhos e Macapá).
"A Polícia Federal e o Ministério Público Federal vão levar pelo menos um ano para fechar esse leque e prestar satisfação à sociedade", acredita Torres.
Segundo o senador, Carlos Wilson estava à frente das irregularidades. Seu indiciamento consta do relatório, mas o texto pode ser alterado após acordo entre oposição e base governista.
"A quadrilha era liderada por Carlos Wilson Rocha de Queiroz Campos e tinha como lugar-tenente Aristeu Chaves Filho que, embora não fosse servidor público e sim empresário do ramo de fruticultura, exercia grande influência sobre Fernando Brendaglia e Eurico Loyo, este, homem de confiança de Carlos Wilson e seu assessor direto", acusa o relator.
Sobre a Anac (Agência Nacional de Avião Civil), o senador criticou a conduta de seus diretores, que teria beneficiado apenas as empresas aéreas, incluindo a ex-diretora Denise Abreu. "Ela atuava muito intensamente em proteger as empresas aéreas."
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