Ministro afasta falhas em fiscalização de leite, mas implanta mutirão
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, descartou nesta segunda-feira a hipótese de que tenham ocorrido falhas na fiscalização da produção de leite no país no caso das fraudes reveladas semana passada por uma operação da Polícia Federal. Stephanes afirmou que a culpa pela má qualidade do leite é exclusivamente das empresas produtoras, mas anunciou a implementação de um mutirão de fiscalização.
"Esse problema [da adulteração] não tem nada a ver com o número de fiscais. O novo sistema tem que dar mais responsabilidade às empresas. Foi uma dúzia de vigaristas que fez a fraude, e os consumidores é que sofreram as conseqüências", disse o ministro. Hoje, o Ministério da Agricultura conta com 1.300 fiscais dos quais 212 fiscalizam 1.700 estabelecimentos industriais de leite.
Com a revelação das fraudes, o governo federal decidiu mobilizar equipes de fiscais agropecuários e realizar avaliações dos procedimentos de todas as empresas do setor.
"As equipes poderão ficar até cinco dias em mutirão. A partir da semana que vem, isso vai ser implementado em todo o país. Vamos definir as freqüências de acordo com nosso número de profissionais", afirmou o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal da pasta, Nelmon Oliveira.
Fraude
Na semana passada, a PF prendeu 27 pessoas suspeitas de envolvimento em fraudes em duas cooperativas de produção de leite em Minas. Produtos como soda cáustica e água oxigenada seriam misturadas à bebida para disfarçar a baixa qualidade do produtos, em alguns casos estragados. Lotes de leite longa vida das empresas Parmalat, Calu e Centenário estão interditados cautelarmente, e o caso é investigado.
Stephanes afirmou que as empresas que tiverem seu envolvimento nas fraudes comprovado serão responsabilizadas criminalmente; terão que apresentar programas de monitoramento e controle de qualidade; responderão a processos administrativos no ministério; e deverão assinar termo de ajustamento de conduta junto ao Ministério Público.
Todas as empresas poderão retomar sua produção depois de normalizarem os padrões de qualidade de seus produtos.
Saúde
O ministro ressaltou que a ingestão do leite adulterado não traz riscos à saúde. De acordo com ele, "o que há é uma fraude econômica, e o que temos que fazer é eliminar falhas. O leite que está no mercado é de muito boa qualidade".
De acordo com a Anvisa, os exames apresentados pela PF que atestam a adulteração indicam que as substâncias não foram adicionadas em quantidade suficiente para causar dano à saúde dos consumidores. Porém, a recomendação é para que pessoas que tenham caixas dos lotes interditados em casa não as consumam. Com a interdição também fica proibido comercializar unidades destes lotes.
Quem perceber qualquer aspecto diferente no leite --cor, odor ou sabor-- deve comunicar a Vigilância Sanitária ou entrar em contato com a Anvisa pelo e-mail ouvidoria@anvisa.gov.br.
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Especial


Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
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É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
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Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
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