Paraná registra 3º crime envolvendo seguranças privados em 2 semanas
CÍNTIA ACAYABA
MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha
Um homem foi morto na madrugada de domingo (28), em Curitiba, no Paraná, após se negar a parar o carro em abordagem de seguranças particulares. Foi o terceiro caso de homicídio com suspeita de participação de vigilantes privados em 15 dias no Estado.
Quatro vigilantes e o motorista da empresa de segurança Impacto foram presos em flagrante após a morte do autônomo Sidnei Rodrigues, 24, ontem. O dono da empresa, Alisson Martins, suspeito de ter dado o tiro que matou Rodrigues, se apresentou nesta segunda-feira à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil.
Segundo a delegada Iara Dechiche, responsável pelo caso, a Impacto funciona sem autorização da Polícia Federal, obrigatória para empresas do setor.
Segundo a Polícia Civil, Rodrigues saía de uma festa com três pessoas quando cinco vigilantes tentaram abordar seu carro. Ele e os amigos teriam ficado com medo e não pararam. Quando Rodrigues acelerou, os vigilantes atiraram contra o veículo, que teve os pneus do carro furados. O autônomo tentou se esconder em um matagal, mas foi atingido nas costas.
Os próprios vigilantes levaram Rodrigues a um posto de saúde e entregaram um revolver calibre 38 com seis cartuchos deflagrados. Um guarda municipal desconfiou da ação e acionou a polícia, que logo chegou aos suspeitos.
Segundo a polícia, Rodrigues tinha atrito com os seguranças em razão de briga antiga com uma vizinha.
Martins tem passagem pela polícia por invasão de domicilio e agressão, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Paraná. A Justiça determinou sua prisão temporária.
Os vigilantes eram contratados pelos moradores do bairro Tatuquara para fazer a segurança da região. Segundo a Folha apurou, eles atuavam como policiais, abordando veículos e intimidando pessoas que consideravam suspeitas.
A reportagem tentou ouvir o advogado da empresa, mas a secretária disse que ele estava em reunião e ligaria de volta, o que não havia ocorrido até o início da noite de hoje.
Outros casos
Em 17 de outubro, três vigilantes da empresa Centronic foram presos acusados de torturar e matar o estudante Bruno Strobel Coelho Santos, 18, que foi flagrado pichando o muro de uma clínica. A empresa diz que o incidente foi um fato "isolado e lamentável".
Há uma semana, seguranças contratados pela multinacional Syngenta Seeds trocaram tiros com sem-terra que invadiram área da empresa em Santa Tereza do Oeste (540 km de Curitiba). O incidente resultou na morte de um sem-terra e de um vigilante. Também deixou oito feridos. A Syngenta afirma que os funcionários eram proibidos de portar armas em serviço.
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