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Cotidiano
30/10/2007 - 18h09

Diretor de "Tropa" diz que não fuma maconha nem usa Rolex; veja vídeo de sabatina

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CAROLINA FARIAS
GABRIELA MANZINI
da Folha Online

O cineasta José Padilha, 40, diretor do documentário "Ônibus 174" e do filme "Tropa de Elite", participou nesta terça-feira de uma sabatina promovida pela Folha. No evento, ele afirmou acreditar que a violência não é fruto da pobreza; que as drogas deveriam ser legalizadas; que o cinema atrairia as classes mais pobres com ingressos a R$ 5; e que "não usaria" um Rolex no Brasil.

Veja vídeo da íntegra da sabatina da Folha com o cineasta.

Marlene Bergamo/Folha Imagem
O cineasta José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite", durante sabatina
O cineasta José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite", durante sabatina

Questionado pela platéia, Padilha afirmou que não fuma maconha, mas que já o fez. "Num mundo ideal, sou a favor da legalização das drogas e do tratamento [dos usuários] como questão de saúde pública", disse.

O diretor defendeu que a política em relação ao consumo de drogas seja similar à usada hoje com o tabaco. "O Estado não diz que você não pode fumar [cigarro]. Mas as campanhas combatem o cigarro, os impostos são elevados e o consumo, sem a proibição, caiu."

Sobre a polêmica gerada pelo artigo que o apresentador Luciano Huck escreveu sobre o roubo de seu Rolex, em São Paulo, Padilha respondeu com uma citação de Confúcio. "Num país justo, a miséria é uma vergonha. Num país injusto, a riqueza é uma vergonha."

O diretor afirmou que pensou na possibilidade de escrever um artigo para encerrar o debate contando a versão de um policial.

"O [escritor] Ferréz escreveu sobre o dia do correria [do ladrão], eu vou escrever sobre o dia do policial. O cara ganha R$ 700, sai de casa num carro da polícia caindo aos pedaços, anda pela periferia e chega na casa de um criminoso. Ele enquadra o cara, põe o saco, tira o saco e o bandido entrega o Rolex. Ele [policial] olha o relógio, pensa no Luciano Huck --pô, o cara inventou a Tiazinha--, mata o criminoso e fica com o Rolex."

Em seu artigo, Huck "chamava" o capitão Nascimento, protagonista de "Tropa de Elite", para resolver os problemas da violência em São Paulo. Para Padilha, Huck errou ao evocar o personagem. "Ele foi errado porque o capitão Nascimento acredita que violência se combate com violência."

Padilha amenizou as críticas ao afirmar que Huck escreveu seu artigo "no calor da emoção", sem "parar pra pensar". "Eu não usaria um Rolex, mas o Luciano Huck usaria. Ou melhor, usava, porque roubaram o dele."

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