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Cotidiano
31/10/2007 - 09h50

Calu, Centenário e Parmalat têm dez dias para explicar adulterações

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da Folha de S.Paulo, em Uberaba
da Folha Online

O Ministério Público de Minas notificou ontem pelo correio as empresas Calu, Centenário e Parmalat a apresentarem defesa em dez dias sobre os problemas detectados em lotes específicos de leite longa vida.

Laudo sobre amostras coletadas em agosto nos supermercados de Uberaba concluiu que os produtos estavam impróprios para o consumo. Na semana passada, a Anvisa interditou os lotes.

"Após recebermos a defesa verificaremos se as empresas serão ou não multadas. Caso ocorra, a multa será aplicada conforme o faturamento da empresa", disse o promotor João Vicente Davina.

Com base nos laudos, Ministério Público e Polícia Federal deflagraram na semana passada a Operação Ouro Branco contra adulteração de leite longa vida integral.

A Parmalat informou ontem que só se pronunciará após receber a notificação, o que não havia ocorrido.

A Copervale, que produz o leite Centenário e é acusada de adulteração, disse que está fazendo uma apuração própria da fraude na empresa. A Calu afirmou, em entrevista anterior, que mandou analisar seu leite.

Fiscalização

A Procuradoria da República em Minas Gerais instaurou um inquérito civil público para investigar as falhas no sistema de fiscalização de leite no país, além de prováveis fraudes em laticínios no Estado.

O inquérito será conduzido em conjunto pelos procuradores Carlos Henrique Dumont e Bruno Nominato de Oliveira, de Passos e Uberaba. Oliveira e Dumont conduziram junto à Polícia Federal as investigações da operação Ouro Branco, que prendeu 27 pessoas acusadas de fraudar leite de duas cooperativas --a Casmil e a Copervale.

O inquérito vai avaliar quantas amostras de leite foram examinadas pelos Laboratórios Nacionais Agropecuários durante este ano e quantas delas apresentaram adulteração. Os procuradores já pediram informações ao Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal), do Ministério da Agricultura, sobre quais providências são tomadas pelo órgão quando amostras de leite analisadas não estão de acordo com os padrões.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também deverá informar a Procuradoria a quantidade de leite retirada do mercado em 2007 por não respeitar as determinações legais.

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Comentários dos leitores
Akira N (3) 19/05/2008 21h51
Akira N (3) 19/05/2008 21h51
SAO PAULO / SP
Do que podemos orgulhar deste país?
Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
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jonathan teixeira (320) 05/01/2008 00h31
jonathan teixeira (320) 05/01/2008 00h31
Pois é, crianças passam mal depois de tomar leite distribuido pelo governo tucano de São Paulo. Deve ser culpa do Lula também...
É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
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Ricardo Nunes (1) 04/12/2007 15h45
Ricardo Nunes (1) 04/12/2007 15h45
MACAE / RJ
Estou realmente indignado com a situação social e de criminalidade em que se encontra o Brasil. Não me orgulho mais de ser brasileiro. Para mim, dizer que é orgulho ser brasileiro, seria uma hipocrisia, enquanto que: milhares de brasileiros passam fome; a saúde pública é um caos sem fim; o país tornou-se o paraíso para a prática do crime nacional e internacional devido a impunidade e a facilidade de sair da cadeia em pouco tempo, para continuar cometendo o mesmo crime "o maior contrabandista do Brasil" ( o crime não compensa?); as falcatruas dos políticos, autoridades e empresários brasileiros, que depenam o patrimônio público com rombos milionários, que não é de hoje, e com impunidade que dá carta branca, incentivando a prática da criminalidade em todo o país.
Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
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