Cotidiano
31/10/2007 - 12h11

Presidente da Anac confirma renúncia e critica ministro

da Folha Online

O diretor-presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, confirmou nesta quarta-feira que deixa o cargo, conforme antecipou ontem a colunista da Folha Eliane Cantanhêde.

Desde o dia 24 de agosto, os outro quatro diretores que integravam a diretoria da Anac renunciaram aos cargos. Da cúpula da agência, restava só Zuanazzi.

Ao anunciar sua saída, ele criticou o ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Estou saindo porque não quero trabalhar com ele [Jobim]", afirmou. O ministro já havia declarado abertamente que esperava a renúncia.

Zuanazzi disse que não deixou o cargo antes porque queria prestar contas à sociedade. Ele também fez um balanço de sua gestão --que durou um ano e sete meses-- e afirmou que a crise aérea que atingiu o país já acabou.

Críticas

Zuanazzi, que disse não concordar com as idéias de Jobim, afirmou que o ministro estaria indicando nomes para a presidência da agência antes mesmo da aprovação pelo Senado. "O ministro age como se não tivesse a lei, não dá muita bola para a questão da autonomia e independência das agências."

Jobim reagiu com ironia aos ataques, tratou Zuanazzi como "página virada" e evitou polêmicas.

Sem citar nomes, Zuanazzi disse ter recebido manifestações contra a popularização do setor aéreo e que "várias pessoas" não querem que "pobre ande de avião". "Tem uma agenda oculta que não aparece na sociedade. Tem que debater com o cidadão. Você que nunca voou: tem gente que não quer que você voe", disse.

Ele também criticou um "certo movimento" --em referência ao Cansei, movimento que realizou protestos contra a crise aérea-- e disse ter ouvido de muitas pessoas que, atualmente, os aeroportos parecem rodoviária. "É quem não gosta de pobre", afirmou.

Ao confirmar a renúncia, Zuanazzi disse que, agora, vai procurar emprego na iniciativa privada na área de turismo e que voltará a lecionar.

Renúncias

Denise Abreu foi a primeira diretora a renunciar, em agosto. Depois, caíram Jorge Luiz Brito Velozo, Leur Lomanto e Josef Barat.

Ontem (30), Zuanazzi telefonou para o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) comunicando a decisão de deixar o cargo.

A cúpula da Anac viveu um processo de desgaste desde a tragédia com o vôo 3054 da TAM, em Congonhas (zona sul de São Paulo), no último dia 17 de julho. O acidente matou 199 pessoas.

O acidente levou a juíza Cecília Marcondes, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, a acusar Denise de ter entregue a ela uma norma sem validade para garantir a liberação do funcionamento da pista principal de Congonhas, pouco antes do acidente.

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 1 opinião
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 2 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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