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Cotidiano
31/10/2007 - 12h41

Base tenta aprovar texto paralelo na CPI do Apagão para livrar aliados

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A base aliada do governo elaborou relatório paralelo à CPI do Apagão Aéreo do Senado para retirar nove das 23 pessoas que tiveram o pedido de indiciamento recomendado pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO) em seu texto.

Os aliados retiraram o ex-presidente da Infraero Carlos Wilson (PT-SP) da lista de autoridades que tiveram o pedido de indiciamento recomendado, além de outros servidores da estatal --apontados por Demóstenes como responsáveis por supostas fraudes na Infraero.

Os governistas vão apresentar voto em separado ao relatório de Demóstenes para isentar os ex-servidores da Infraero. Além de retirar o pedido de indiciamento de Wilson, o texto dos aliados também retira da lista Eleuza Terezinha, ex-diretora de engenharia da Infraero, Fernanda Brendaglia, ex-diretora comercial, José Wellington Moura, ex-diretor comercial, Marco Antonio Oliveira, ex-superintendente da região Centro Oeste, Márcia Chaves, ex-funcionária, Aristeu Chaves Filho, empresário amigo de Carlos Wilson, e Eurico Loyo, ex-assessor de Carlos Wilson.

Apesar de isentar os ex-servidores, os governistas mantiveram o pedido de indiciamento da ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu ---com o argumento de que esteve envolvida no episódio em que utilizou documento sem validade convencer a Justiça de São Paulo a liberar a pista principal do aeroporto de Congonhas. Os governistas recomendam o indiciamento de da empresária Sílvia Pfeifer, dona da Aeromídia, e de José Oliveira Sobrinho, representante da Associação Brasileira de Mídia Aeroportuária ---que foram poupados no texto de Demóstenes. A base aliada argumenta que os dois se beneficiaram do esquema de desvio de recursos operado na Infraero.

O voto em separado dos governistas será colocado para análise do plenário da CPI antes do texto de Demóstenes. Somente se for derrotado, o texto do senador democrata entrará em votação.

Impasse

A oposição vai tentar adiar a votação do texto porque o PDT --que ainda não indicou um membro da CPI --cedeu sua vaga ao DEM. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), pediu o adiamento da votação para poder ter tempo para indicar um nome para CPI.

Os governistas criticaram a manobra porque argumentam que um novo membro não poderia assumir a cadeira no momento em que a CPI encerra seus trabalhos.

A oposição ficou irritada com o adiamento da votação do relatório de Demóstenes nesta terça-feira porque três governistas teriam ficado retidos em aeroportos, sem chegarem a tempo para a votação --apesar de dois terem sido vistos no Senado momentos depois do encerramento da sessão da CPI.

Com baixo quorum da base aliada, a oposição teria conseguido aprovar o texto de Demóstenes.

Relatório

Em seu relatório, Demóstenes pede o indiciamento de 23 pessoas ligadas ao sistema aéreo nacional. O senador afirma que os 23 servidores lideraram duas "quadrilhas" que atuaram para "fraudar licitações e desviar dinheiro público".

Segundo o senador, as fraudes e o superfaturamento em licitações resultaram em prejuízos da ordem de R$ 500 milhões aos cofres públicos nos últimos anos.

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