Publicidade

Cotidiano
01/11/2007 - 08h24

Procuradoria vai investigar falhas na fiscalização do leite

Publicidade

da Folha Ribeirão

O Ministério Público Federal de Minas Gerais abriu um inquérito civil para apurar falhas no sistema de fiscalização do SIF (Serviço de Inspeção Federal), do Ministério da Agricultura, e a possível existência de fraudes similares em outros laticínios das regiões de Uberaba e Passos.

O procurador da República em Uberaba, Bruno Nominato de Oliveira, pretende ouvir nos próximos dias pessoas e autoridades mineiras envolvidas na fraude do leite. "A permanência do fiscal do Ministério da Agricultura dentro dos laticínios pode ter contribuído para as fraudes", afirmou.

A Folha procurou o ministério para comentar o assunto, mas não houve resposta até a noite de ontem.

Na semana passada, a operação Ouro Branco da Polícia Federal prendeu em Uberaba 19 pessoas acusadas de adicionar no leite substâncias como soda cáustica e água oxigenada para aumentar o volume e o prazo de validade, entre elas diretores da Copervale (Cooperativa Regional de Leite do Vale do Rio Grande).

Cinco deles foram soltos na sexta-feira e, ontem à noite, seria libertado o presidente, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira. Mesmo após sua saída, a Copervale continuará sendo dirigida pelo interventor Geraldo Cardoso Sobrinho, segundo a Justiça Federal.

Outros quatro detidos em Passos também deixariam a cadeia ontem à noite.

Fraude antiga

As suspeitas de adulteração do leite produzido no país já existiam há quatro anos, de acordo com Jorge Rubez, 70, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite.

Segundo ele, há quatro anos foi feita a análise em parte dos laticínios e marcas do Brasil e em aproximadamente 3% foram constatadas irregularidades, mas nada foi feito e ninguém foi punido. "Não deu em nada porque o caso se perdeu na burocracia."

Rubez disse que, à época, poucos laboratórios do país tinham condições técnicas para fazer a análise do soro do leite e que equipamentos foram comprados para municiar os centros, mas o caso se perdeu em questões jurídicas.

"Nem os nomes e a quantidade de empresas envolvidas foram divulgadas, mas o episódio foi positivo para o setor", disse.

Apesar de não ter havido punição, Rubez afirmou que a fiscalização acabou com a fraude, porque todas as cooperativas sabiam que os órgãos estavam aparelhados para encontrar possíveis irregularidades.

No caso de Uberaba, na avaliação dele, a fraude só foi possível porque houve participação de fiscais do SIF. "Tinha a conivência dos fiscais. Senão, não faz [a fraude]. Muito raramente consegue fazer isso."

Apesar de se dizer favorável à ação da PF, ele disse que foi exagerada. "Era preciso ter prova, contraprova, multar e fechar. Depois da contraprova, tem direito de defesa e, só depois disso, [poderia] prender."

Acompanhe as notícias da Folha Online em seu celular: digite wap.folha.com.br.

Comentários dos leitores
Akira N (3) 19/05/2008 21h51
Akira N (3) 19/05/2008 21h51
SAO PAULO / SP
Do que podemos orgulhar deste país?
Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
3 opiniões
avalie fechar
jonathan teixeira (320) 05/01/2008 00h31
jonathan teixeira (320) 05/01/2008 00h31
Pois é, crianças passam mal depois de tomar leite distribuido pelo governo tucano de São Paulo. Deve ser culpa do Lula também...
É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
8 opiniões
avalie fechar
Ricardo Nunes (1) 04/12/2007 15h45
Ricardo Nunes (1) 04/12/2007 15h45
MACAE / RJ
Estou realmente indignado com a situação social e de criminalidade em que se encontra o Brasil. Não me orgulho mais de ser brasileiro. Para mim, dizer que é orgulho ser brasileiro, seria uma hipocrisia, enquanto que: milhares de brasileiros passam fome; a saúde pública é um caos sem fim; o país tornou-se o paraíso para a prática do crime nacional e internacional devido a impunidade e a facilidade de sair da cadeia em pouco tempo, para continuar cometendo o mesmo crime "o maior contrabandista do Brasil" ( o crime não compensa?); as falcatruas dos políticos, autoridades e empresários brasileiros, que depenam o patrimônio público com rombos milionários, que não é de hoje, e com impunidade que dá carta branca, incentivando a prática da criminalidade em todo o país.
Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
10 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (231)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca