Produtores de leite longa vida se dizem vítimas e propõem selo de qualidade
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
A ABLV (Associação Brasileira de Leite Longa Vida) afirma ter sido vítima de uma fraude provocada pelos produtores de leite cru, matéria-prima para a produção do leite longa vida.
Nesta quinta-feira, a associação detalhou o processo de produção do longa vida, desde o recebimento do produto --cru-- até o seu envase. Segundo o vice-presidente da entidade, Laércio Barbosa, até hoje não há nenhum laudo conclusivo que ateste a presença de água oxigenada ou soda cáustica no leite longa vida. "A fraude aconteceu na matéria prima [leite cru], e as empresas que compraram são apenas vítimas."
Barbosa disse ainda que toda a culpa pelas irregularidades recaem sobre os produtores de leite longa vida. No entanto, segundo ele, não existe fraude sanitária provocada intencionalmente pelos produtores.
Ele não descarta, entretanto, fraude econômica, por parte de algumas empresas. "A pirataria e a fraude acontecem em qualquer setor", disse.
Segundo ele, o intuito da ABLV é de criar um selo de qualidade aos moldes da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) para o leite.
O doutor em ciência dos alimentos da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) Paulo Henrique Fonseca da Silva defendeu que novos testes sejam criados para averiguar a qualidade do produto final.
De acordo com Silva, os peritos precisam se debruçar para modificar os métodos oficiais de analise do leite. Ele afirma que o método atualmente empregado para verificar a alcalinidade do leite só serve para a matéria prima, e não para o produto final.
Ele ressalta que não existe um teste específico para detectar a presença do hidróxido de sódio no leite. De acordo com Silva, o teste seria importante para detectar a presença de soda cáustica.
Devolução
Segundo Otiniel Lopes, representante da Parmalat, a empresa devolveu, nos últimos quatro meses, cerca de 100 mil litros de leite cru da Casmil. No acumulado dos últimos dez meses, segundo ele, foram devolvidos 15 milhões de litros de leite considerados impróprios para a produção do leite longa vida, cerca de 2,5% do total de 600 milhões de litros de leite produzidos pela empresa.
Em comunicado oficial, a Parmalat informou, na tarde desta quinta-feira, que coloca à disposição das autoridades de segurança alimentar todas as fábricas e depósitos para que sejam realizadas auditorias.
A empresa sugere, ainda, que o processo de auditoria seja realizado em todas as empresas do setor.
Uma estratégia da Parmalat é a de integrar o produtor de leite cru na produção do leite final. O objetivo é ter um maior controle da qualidade --desde a extração do leite até o envase do longa vida.
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Especial

Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
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É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
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Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
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