Governo proíbe comercialização de leite longa vida de quatro empresas
da Folha Online
da Agência Brasil
O Ministério da Agricultura informou nesta sexta-feira que a comercialização e distribuição aos pontos de venda do leite UHT (longa vida) de quatro empresas está suspensa. A restrição não vale para os os locais que já possuem os produtos --como supermercados-- pois essa é uma atribuição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
As empresas também poderão continuar a produzir o leite cru --base para produção do longa vida e outros produtos lácteos--, mas não comercializá-lo. A comercialização do leite pasteurizado --geralmente envasado em saquinho-- não está proibida.
A medida engloba cinco fábricas: Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), Avipal (Aviário Porto-Alegrense) e as unidades da Parmalat de Santa Helena de Goiás (GO) e Carazinho (RS).
O suposto esquema de adulteração no leite foi revelado há dez dias, quando a Polícia Federal realizou a operação Ouro Branco. Na operação, 27 pessoas foram presas suspeitas de misturar substâncias como água oxigenada e soda cáustica ao leite para disfarçar as más condições do produto. Todos já foram libertados.
Laudo do Laboratório Nacional Agropecuário de Minas anexado ao inquérito do leite da PF que apura o caso, apontou que algumas amostras recolhidas nos supermercados de Uberaba em agosto deste ano estavam impróprias para o consumo. Elas tinham o dobro do teor de alcalinidade permitido, segundo a PF. O laudo serviu de base para a operação Ouro Branco.
A medida anunciada hoje pelo Ministério da Agricultura é um esclarecimento a respeito de um ofício enviado às empresas no dia 26 de outubro. Nele, constava que "os produtos" estavam proibidos de ser comercializados pois deveriam passar por vistorias. O documento não especificava qual era o produto e devido a isso algumas empresas suspenderam a comercialização de todos os seus itens.
Devido a isso, o Ministério da Agricultura enviou um novo ofício ontem (1º), desta vez especificando o leite UHT no enunciado "produtos". O Ministério da Agricultura informou ainda ontem que as fiscalizações nas empresas vão continuar.
Liberado
Por meio de nota enviada à imprensa, a Parmalat informou que a produção da fábrica localizada em Santa Helena de Goiás (GO) está aprovada.
Contrariamente ao determinado pelo Ministério da Agricultura, a empresa informou que não houve interrupção na produção ou comercialização dos seus produtos no varejo durante a inspeção de rotina.
A Parmalat enviou uma cópia de um documento interno do Ministério da Agricultura assinado pelo fiscal agropecuário Marcius Ribeiro de Freitas. Em sua assinatura, consta que ele é coordenador-geral da inspeção do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal.
O documento informa que a comercialização do leite UHT da Parmalat em Santa Helena de Goiás está liberada, assim como os lotes retidos para verificação da conformidade do produto.
O Ministério da Agricultura não foi localizado para confirmar a veracidade do documento.
Calu
Em nota enviada hoje, a empresa Avipal Nordeste informa que o estoque de leite longa vida de sua fábrica em Itumbiara (GO) foi produzido pela CCL (Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo), e não por ela.
De acordo com a nota, a última produção da fábrica foi em 20 de setembro. À época, ainda segundo a nota, a fábrica era da CCL. O processo de compra da planta pela Avipal Nordeste foi finalizado em 5 de outubro.
A empresa não soube informar se o processo de compra incluia o estoque de leite longa vida. A Avipal Nordeste informou ainda que paralelo ao Ministério da Agricultura, fará análise própria do produto antes de serem liberados.
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Especial



Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
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É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
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Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
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