1/3 do leite brasileiro não passa por fiscalização
da Folha Online
Reportagem publicada na edição deste domingo da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL) revela que, a cada três litros de leite produzidos no Brasil, um, em média, é feito no mercado informal --não passa por fiscalização do governo e não é tributado.
"Por não pagar impostos e gastar pouco com equipamentos para a conservação do leite, os produtores informais conseguem vendê-lo por preço abaixo do de mercado."
De acordo com a reportagem, dados da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) mostram que, "dos 26 bilhões de litros de leite obtidos anualmente no país, ao menos 9 bilhões (34%) não obedecem a instrução normativa nº 51, de 2002, do Ministério da Agricultura, que estabelece critérios de qualidade".
Normalmente, conforme o texto, o produtor informal mora em áreas pouco urbanizadas e tem poucos animais; a retirada, o manuseio e a conservação são com técnicas caseiras; e quase toda a produção é vendida de porta em porta, em feiras livres e em estradas.
Produtores confirmaram que, por não terem máquinas que purifiquem o leite, os fabricantes informais tendem a ser mais cuidadosos. Mas como não são fiscalizados pelo governo, não há dados oficiais que mostrem o grau de pureza ou de higiene.
Operação
Há dez dias, a PF (Polícia Federal) realizou uma operação batizada de Ouro Branco que revelou um esquema de adulteração no leite longa vida. Na operação, 27 pessoas foram presas suspeitas de misturar substâncias como água oxigenada e soda cáustica ao leite para disfarçar as más condições do produto. Todos os suspeitos estão livres.
Os suspeitos foram presos com base em um laudo do Laboratório Nacional Agropecuário de Minas anexado ao inquérito que aponta como impróprias para o consumo algumas amostras de leite longa vida recolhidas nos supermercados de Uberaba, em agosto deste ano. Essas amostras tinham o dobro do teor de alcalinidade permitido.
Ontem, o Ministério da Agricultura proibiu a comercialização e distribuição do leite longa vida produzido em fábricas de quatro empresas --Parmalat, Casmil, Copervale e Avipal.
Acompanhe as notícias da Folha Online em seu celular: digite wap.folha.com.br.
Leia mais
- Governo proíbe comercialização de leite longa vida de quatro empresas
- Produtores de leite longa vida se dizem vítimas e propõem selo de qualidade
- Justiça prorroga intervenção em cooperativa acusada de fraudar leite
- Deputado toma leite fraudado na Câmara para "dar recado à população"
- Calu, Centenário e Parmalat têm dez dias para explicar adulterações
- Origem e efeitos dos alimentos transgênicos são tema de livro
Especial



Há algo de seriedade em algum setor da política pública?
A impunidade é geral. Tem até juiz vendendo sentença judicial.
Sem moral, sem dignidade ou caráter.
Se o preço for bom vende-se qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa.
Adultera-se leite, uma fonte de alimentação básica para as crianças, com produtos químicos inadequados, ou venenosos para consumo humano, e a cooperativa sem se quer foi fechada, funcionando a todo vapor até hoje. E os culpados ainda estão soltos.
INACREDITÁVEL.
Qualquer pessoa que vive num dos países sérios do hemisfério norte acharia esta situação (e muitos outros) uma piada.
O Brasil pode até ser considerado país emergente economicamente, porém a mentalidade do setor público é típica de um país do TERCEIRO MUNDO.
avalie fechar
É claro que fatos como este são passíveis de acontecer sob qualquer governo. Cabe ao poder público, num caso desses, identificar os culpados e puni-los. O que se questiona é o seguinte: os critérios das licitações para a compra desses produtos estão corretos? As empresas e os empresários participantes foram devidamente investigados? Seria tão absurdo assim a existência de uma fazenda estatal, administrada pela Embrapa, para produção e fornecimento de leite para nossas crianças?
avalie fechar
Não é de se estranhar que empresários brasileiros, estavam adulterando o leite com produtos que pode se dizer literalmente: "venenos". Sim, literalmente envenenando, pouco a pouco, o povo brasileiro! Para mim, isto não é só um crime de "falsificação" de um alimento, mas bem como, crime de envenenamento. Até agora, pelo que consta ninguém foi preso. O que existe são, justificativas esfarrapadas, e fica a impressão de que muito dinheiro está "rolando". Ora, se o próprio químico é réu confesso e disse que: “sabendo que o leite está adulterado "envenenado", jamais beberei desse leite” Por que então, até agora a justiça não tomou nenhuma atitude para punir severamente o criminoso hediondo e todos os coniventes?
avalie fechar