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Cotidiano
06/11/2007 - 08h50

Especialistas acreditam em falha mecânica para queda do Learjet

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da Folha de S.Paulo

Falha mecânica. Essa é, até agora, a hipótese mais aceita para a queda do Learjet 35 anteontem. Embora ressaltem que ainda é cedo para conclusões, pilotos e especialistas cogitam essa explicação com base em alguns fatores, como a experiência do comandante e o modo como o avião girou.

Ontem, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, avaliou que pode ter ocorrido um "problema no avião". Segundo ele, o piloto do jato tinha muita experiência, o controlador da torre agiu corretamente e o aeroporto do Campo de Marte não está com problemas de sobrecarga.

Saito não explicou que problema poderia ter ocorrido, mas uma hipótese é pane em um dos motores. Ainda assim, aviadores da FAB que pilotam Learjets consideram a aeronave muito segura nesse tipo de pane, capaz de operar com um só motor com segurança.

A FAB é responsável pela apuração dos fatores que contribuíram para a queda, inclusive por meio de análise das caixas-pretas, das fichas dos pilotos e da empresa aérea e das condições meteorológicas.
Potente, o Learjet é uma das opções mais procuradas na aviação executiva, afirma Apostole Lack Chryssafidis, presidente da Abetar (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional).

Para ele, é provável que os dois motores tenham falhado. "Ele pode ter perdido o motor esquerdo e, por isso, feito a curva sobre o motor bom [direito], o que é um procedimento comum. Mas, depois, ter perdido também o direito."

James Waterhouse, professor do departamento de Engenharia Aeronáutica da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos, afirma que o Learjet é um dos aviões com melhor performance quando um dos motores falha.

Mas a potência do Learjet também pode significar um risco, segundo Roberto Paterka, consultor de segurança de vôo. "Em outros tipos de avião, quando perde-se um motor, acelera-se o outro ao máximo. No Learjet, deve-se reduzir a velocidade -se acelerar, o motor é tão forte que gira o avião."

Isso, diz, poderia explicar o porquê de o avião ter virado para a direita quando deveria ter ido para a esquerda. "Aparentemente, o avião girou, por isso abaixou uma asa, perdeu a sustentação e caiu de bico."

Com 28 anos de experiência na aviação civil, o coordenador do curso de ciências aeronáuticas da UCG (Universidade Católica de Goiás), Raul Francé Monteiro, também afirma acreditar na possibilidade de falha mecânica. "Não é possível simplesmente que o piloto tenha dado uma bobeada e deixado de saber controlar o avião."

Segundo Saito, o Campo de Marte tem muitas restrições, mas isso não se traduz em riscos. Ele disse que o controle de tráfego aéreo funcionou normalmente e rejeitou a hipótese de sobrecarga devido às restrições impostas a Congonhas.

Procuradas, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Infraero não se manifestaram.

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