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Cotidiano
06/11/2007 - 19h45

Em Cumbica, passageiros da BRA reclamam de falta de perspectiva de reembolso

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RENATO SANTIAGO
da Folha Online

Mesmo os passageiros que estão nos aeroportos, com bilhetes da BRA comprados para os vôos que aconteceriam a partir de amanhã (7), têm de telefonar para o número fornecido pela empresa ou procurar pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para obter informações. Procurar o guichê da empresa não vai mais resolver.

No aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), o clima é tranqüilo na noite de hoje, já que haviam poucos vôos marcados. O balcão de check-in está vazio. Os funcionários aguardam os passageiros somente para dar o aviso sobre a suspensão das operações da empresa.

O serralheiro Hélio Martins, 63, viajaria hoje para Belém (PA) onde montaria estruturas metálicas. 'Disseram que eu tenho de procurar a loja onde eu comprei [a passagem] para pegar o dinheiro de volta. Já havia mandado ferramentas para trabalhar amanhã e agora só Deus sabe', disse.

O vendedor Marcílio Giovani, 41, viajaria apenas em dezembro, mas ao saber da situação da empresa pela imprensa, tentou telefonar no número disponibilizado, mas não conseguiu contato. 'Economizei dois anos para comprar essa passagem e agora me falaram para procurar a Anac ou pedir o dinheiro de volta. Era a viagem dos meus sonhos passar o Réveillon com a minha família em Fortaleza [CE]', afirmou. o vendedor

Giovani pagou R$ 1.400 nas três passagens de ida. 'A volta era por outra companhia e se eu não for também vou perder o dinheiro dessa outra passagem', disse.

A dona de casa Maria Elisa Campos de Matos, 60, veio de Cuiabá com o marido para São Paulo para realizar um tratamento médico e agora não tem como voltar. 'Fiquei só com o papel na mão', disse. Matos foi orientada pela empresa a procurar ressarcimento pelas passagens, que totalizam R$ 866.

O professor Wellington Santos, 24, que mora no Rio, tem uma passagem de ida para Porto Alegre (RS) agendada para o próximo dia 25 de dezembro. Ele afirma que, nos últimos dias, entrava sempre no site da BRA para conferir os horários do vôo, que mudaram ao menos uma vez. 'Hoje de manhã eu entrei no site e marcava que não tinha vôos para esse dia, só para o final de novembro. Foi quando eu entrei no Orkut [site de relacionamentos], fiz uma pergunta em uma comunidade da BRA e o pessoal começou a falar que tinha terminado.'

Santos confirma a dificuldade de entrar em contato com a empresa. 'Claro que o telefone só dá ocupado, é uma linha pro Brasil todo!' Ele diz que mandou um e-mail, mas que ainda não obteve resposta e que, como o site está fora do ar, não tem endereços de lojas da BRA no Rio. O professor pagou R$ 99 pela passagem em três vezes e diz que pretende brigar para ser realocado em outra companhia. 'Eles marcaram um compromisso comigo.'

A BRA anunciou hoje o pedido de suspensão dos vôos --nacionais e internacionais-- e a demissão de seus 1.100 funcionários. A partir de amanhã a empresa não realiza mais vôos.

Em nota, a BRA informa que 'orienta os passageiros a não se dirigirem aos aeroportos ou às lojas'. A empresa pede para os passageiros ligarem para o telefone (0/xx/11) 3583-0122 para obter detalhes sobre a reacomodação em outras companhias aéreas ou sobre o reembolso da passagem.

Direitos

A orientação básica dos órgãos de defesa do consumidor para os passageiros prejudicados por suspensão dos vôos é buscar as companhias aéreas. Pela lei federal, o consumidor tem direito a ser ressarcido pela empresa ou receber um endosso da empresa para embarcar por uma outra companhia área.

Caso o consumidor não seja atendido, o Procon orienta que os consumidores lesados procurem os escritórios regionais do órgão de defesa de consumidor para encaminhar uma solução administrativa para o caso.

O consumidor precisa guardar os bilhetes, inclusive aqueles comprados pela internet, para reivindicar seus direitos.

Com GABRIELA MANZINI, da Folha Online

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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