Aeronáutica envia gravador de voz do Learjet para análise nos EUA
da Folha Online
A Aeronáutica decidiu nesta quarta-feira enviar aos Estados Unidos o gravador de voz --chamado CVR (Cockpit Voice Recorder)-- do Learjet que caiu domingo (4) na Casa Verde, na zona norte de São Paulo. O acidente causou a morte dos dois ocupantes do avião --piloto e co-piloto-- e de seis pessoas da mesma família que estavam na casa atingida pelo jato.
O equipamento será analisado pelo NTSB (National Transportation Safety Board, agência que investiga acidentes da aviação civil nos EUA). Ainda não há confirmação sobre a data de envio do material ou prazo para a divulgação do conteúdo da gravação.
A aeronave --prefixo PT-OVC-- caiu minutos após decolar do Campo de Marte. Horas depois do acidente, o coronel Carlos Minelli de Sá, do SRPV (Serviço Regional de Proteção ao Vôo), órgão ligado à Aeronáutica, afirmou que, após a decolagem, o Learjet girou à direita, enquanto a trajetória prevista era virar à esquerda. Controladores da torre de comando do aeroporto teriam tentado alertar piloto e co-piloto, mas não receberam resposta.
| 05.nov.2007/Folha Imagem |
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| Bombeiros, Defesa Civil e Aeronáutica trabalham nos escombros de casa atingida |
A hipótese mais aceita por especialistas para o acidente é de falha mecânica. Na terça-feira (6), o perito do IC (Instituto de Criminalística) da Polícia Civil de São Paulo Antônio Nogueira afirmou que a hipótese de que uma falha do piloto ou do co-piloto tenha causado a queda do avião é "das mais remotas". "Mas é uma possibilidade."
Morreram o piloto Paulo Roberto Montezuma Firmino, 39; e o co-piloto, Alberto Soares Junior, 25, além dos moradores da casa de número 118 da rua Bernardino de Sena --Lina Oliveira Fernandes, 75; seu filho Aires Fernandes, 54; a mulher dele, Rosa Lima, 54; a filha mais velha do casal, Ana Maria Lima Fernandes, 21; o marido dela, Lucas de Souza Só Júnior, 20; e o filho do casal, Luan Victor de Lima Só, de dez meses.
Ficaram feridas Cláudia Lima Fernandes, 16 --filha de Aires e Rosa e única integrante da família Fernandes que estava no local e sobreviveu-- e sua amiga Laís Gonçalves da Silva Coutinho de Mello, 11. As duas meninas estavam em um quarto da casa quando aconteceu o acidente.
Com cortes no rosto e um hematoma na coxa, Laís foi medicada no Hospital do Mandaqui e teve alta segunda-feira (5). Cláudia sofreu queimaduras em aproximadamente 30% do corpo e está internada no setor de queimados do Hospital do Servidor Público, sem previsão de alta.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, responsável pela unidade, a jovem está consciente e tem quadro clínico estável, apesar de ainda grave.
Imóveis interditados
Além da casa destruída pelo avião, outros três imóveis foram interditados após o acidente --são os localizados nos números 104, 120 e 126.
Segundo a Defesa Civil do município, uma das casas --a de número 104-- deverá ser demolida. Não há, no entanto, data para os trabalhos.
A Defesa Civil afirma que, primeiro, o proprietário deverá tentar um acordo com a empresa responsável pelo avião --a Reali Táxi Aéreo-- para arcar com os custos da demolição. Caso não haja acordo, poderá acionar o órgão.
| Raimundo Pacco /Folha Imagem |
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| Tobi,o cão encontrado escondido em meio aos escombros nesta terça |
A casa de número 120 teve danos em cerca de 30% da estrutura e deverá passar por reformas, para que seja liberada aos moradores. A outra casa --no número 126-- também permanece interditada de forma preventiva.
Equipes da Defesa Civil permanecem no local e auxiliam os moradores na retirada de objetos das casas interditadas.
A rua foi liberada ontem (6), quando um cachorro foi encontrado vivo em meio aos escombros de uma das casas atingidas pelo jato Learjet 35. Ele resistiu desde o dia do acidente embaixo de uma cama. De acordo com a Defesa Civil, o animal pertence à menina Cláudia.
Tobi, como é chamado, foi entregue a uma vizinha da família. Um outro cachorro que foi encontrado no dia da queda do avião também pertenceria à garota.
Sobrevivente
Em casa, após deixar o hospital, a menina Laís contou a jornalistas como foi o acidente. Disse que ficou o tempo todo consciente e que gritou por socorro.
A menina afirmou não ter percebido que a casa havia sido atingida por um avião, mas relatou que o imóvel tremeu e que móveis caíram sobre ela e se mostrou preocupada com a amiga, que permanece internada.
Laís disse ter sentido medo enquanto aguardava o resgate porque estava com as pernas presas e havia inalado muita fumaça.
LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online
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