Procuradoria entra com ação contra delegado e policiais federais em SP
da Folha Online
Uma força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, que investiga crimes cometidos pela quadrilha formada por agentes da área de segurança pública e empresários da região oeste de São Paulo, ajuizou as primeiras ações civis públicas de improbidade administrativa contra um delegado federal e dois policiais federais suspeitos de envolvimento no esquema.
Nas ações, entre várias medidas, a Procuradoria pediu a perda dos cargos dos suspeitos, além do pagamento de multas e indenizações à União. Os promotores ainda pediram que seja decretada, liminarmente (provisoriamente), a indisponibilidade dos bens e o bloqueio das contas dos acusados. Até a noite desta quarta-feira, os pedidos de liminar não haviam sido
apreciados pela Justiça Federal.
Duas ações foram ajuizadas no final de outubro. A primeira delas contra o ex-delegado-chefe da Delegacia da PF de Marília, Washington da Cunha Menezes. Os procuradores relatam que além dos crimes que Menezes responde em quatro processos criminais, ele também cometeu "inúmeros desvios funcionais relacionados diretamente com sua função de autoridade policial
federal", seja como chefe do setor da PF que deveria fiscalizar a vigilância privada na região de Marília (444 km a noroeste de São Paulo).
Nesta ação, a Procuradoria relata o episódio do desvio de verba empenhada para o pagamento de combustível dos carros da PF. Segundo a ação, em 16 de fevereiro deste ano, Menezes mandou um policial até o posto de combustíveis de Marília credenciado pela PF para abastecer as viaturas e chamar o gerente do posto para uma conversa na delegacia.
Na conversa, o delegado alegou que precisava de R$ 500 para uma compra urgente de cartuchos de tinta e material de escritório e que os valores poderiam ser debitados da verba para a compra de combustível da PF. O posto, atendendo o pedido, emitiu cinco notas fiscais de R$ 100, todas com data do dia 16 e entregou o dinheiro ao delegado. Na investigação foi apurado que o dinheiro não foi aplicado na compra material de escritório ou cartuchos.
A outra ação é movida contra o papiloscopista da PF Henrique Pinheiro Nogueira e contra o agente federal Roland Magnesi Júnior, por irregularidades que ambos cometeram nos setores de vistoria de vigilância da PF de Marília e Presidente Prudente.
A Folha Online não obteve o contato dos advogados dos policiais acusados.
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