Polícia prende nove jovens de classe média alta suspeitos de traficar drogas no Rio
da Folha de S.Paulo, no Rio
Atualizado em 09/11/2007
Nove jovens de classe média alta, suspeitos de traficar ecstasy, LSD, cocaína, maconha, crack, haxixe na zona sul do Rio, foram presos na manhã desta quinta-feira por agentes da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas). Uma adolescente de 17 anos também foi apreendida durante a operação. Ouça conversas dos suspeitos detidos.
A maior parte das prisões foi realizada em endereços nobres da zona sul e um dos integrantes, estudante de design industrial, foi algemado dentro da Universidade Estácio de Sá, no campus Uruguaiana, no centro.
Os policias apreenderam drogas, dinheiro, uma caixa de munição para pistola calibre 765 e uma balança de precisão.
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça foram a base da investigação, que começou há seis meses e resultou na operação Octógano.
Os jovens, a maioria universitários, vendiam drogas pela internet ou em festas raves, boates, universidades, colégios, academias e nas praias. A polícia aponta o estudante de psicologia Bruno Pompeu D'urso, 18, que mora na Lagoa, como o líder do grupo.
Os outros presos são Rafael Luiz de Vasconcelos Passos, 19, Thiago Castilho Gama, 24, Pedro Paulo Faria David, 23, Rodrigo Foresti de Luca, 21, Fábio Luiz Cardoso da Silva, 26, Renato da Silva Magdalena, 32, Jéssica de Albuquerque e Correia, 18, e Maycon Igor Scoralick, 20, além da adolescente de 17 anos, e de Thiago Castilho, 24, que já estava preso por roubo.
Uma outra mulher, ligada ao grupo, está sendo investigada por venda de documentos falsos. Ela é suspeita de ter fornecido a Lucas Maiorano, 17, a carteira de estudante da UFRJ que ele usou para entrar em uma festa rave, em Itaboraí (a 45 km do Rio), onde o rapaz morreu há duas semanas. Lucas teria morrido em decorrência de overdose de drogas sintéticas.
Outro lado
Bruno Pompeu D'Urso inicialmente admitiu ser usuário de maconha, mas recuou e questionou o trabalho da polícia. "Revistaram toda a minha casa e não acharam nada [drogas]. Então, qual a prova que existe contra mim?"
Os integrantes do grupo suspeito de tráfico negaram envolvimento. O estudante de administração Rodrigo Foresti de Luca pediu desculpas à família, chorando, e negou traficar. "A única droga que usei foi anfetamina, para emagrecer, e depois fui à uma festa. Mas isso aconteceu apenas uma vez."
Estudante de educação física e vendedor de uma loja, Rafael Luiz de Vasconcelos Passos disse que não teria tempo para traficar, porque estuda e trabalha. O técnico de informática Fábio Luiz Cardoso também alegou ser trabalhador e disse que a polícia não encontrou provas contra ele. Seu advogado, Valdo Tavares, admitiu que o cliente é usuário de maconha e já esteve internado para reabilitação, mas que ele não trafica.
O taxista Renato da Silva Magdalena ressaltou que mora longe dos outros integrantes do grupo. "Não conheço ninguém que está aqui."
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Polícia prende jovens suspeitos de tráfico de drogas; ouça gravações
- Jornalista explica com detalhes como funciona o narcotráfico
- Leia capítulo de Folha Explica a Violência Urbana
- Livro ensina pais a prevenir acidentes e evitar bullying, excesso de álcool ou droga
Especial

