Jobim admite problemas com passagens da BRA e diz que falha é do mercado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Nelson Jobim (Defesa) admitiu nesta quinta-feira que os passageiros com bilhetes da BRA comprados para as festas de final do ano poderão enfrentar problemas para o embarque. O ministro disse que a prioridade do governo será solucionar casos emergenciais, como passageiros que já voaram um dos trechos e precisam retornar aos locais de origem --o que não necessariamente inclui os feriados de Natal e Ano Novo.
"Aqueles que compraram passagens para o ano que vem ou para as férias terão problemas. Eles não serão resolvidos pelo contribuinte brasileiro, é um problema de mercado", afirmou.
Jobim disse que o governo já mobilizou o Ministério da Justiça e órgão de defesa do consumidor para solucionar os problemas "emergenciais" dos passageiros da BRA.
Segundo Jobim, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) terá que criar um mecanismo de acompanhamento financeiro das empresas aéreas para evitar surpresas como a decisão da BRA de interromper suas atividades.
"A liquidação não é uma decisão que cabe à Anac. Nós precisamos ter mecanismos na agência de acompanhamento de saúde financeira das empresas", defendeu.
O ministro disse que, apesar do fim das atividades da BRA, o sistema aéreo nacional não sofrerá impactos financeiros. Segundo Jobim, a empresa respondia por somente cerca de 4,5% do mercado aéreo nacional.
"A BRA tinha 4,5%, 4,6% do mercado, insignificante a posição dela. Pretendemos que a OceanAir cresça com solidez, isto não tem dificuldade, o grande mal de tudo é o problema dos passageiros, que já compraram os bilhetes", ressaltou.
Paralisação
A BRA pediu na terça-feira (6) à Anac a suspensão de todos os vôos --nacionais e internacionais. Em um comunicado oficial, a empresa informou um telefone e o endereço do site para que os passageiros que compraram seus bilhetes obtivessem orientação sobre reembolsos e possível acomodação em vôos de outras companhias.
A companhia aérea confirmou nesta quarta-feira que vendeu 70 mil passagens até o dia 30 de março de 2008.
A assessoria de imprensa da companhia afirmou que a acomodação de passageiros com bilhetes comprados em aviões de outras companhias partirá de acordos com a Anac e demais empresas, e não de iniciativa da BRA.
Desse volume, 4.200 passagens são internacionais --cerca de 250 passageiros estão no exterior com previsão de retorno até o final do ano.
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